Ator considera que a máscara pode ocultar ou revelar identidades 

Foto Lusa, Carnaval em Lazarim, 2019

Lisboa, 05 mar 2019 (Ecclesia) – O ator Júlio Martin afirmou em entrevista à Agência ECCLESIA que o Carnaval é uma “celebração do espanto” e uma oportunidade de fuga da “máscara social” que cada pessoa usa consoante as circunstâncias do seu dia.

“É uma possibilidade de um escape, da fuga de uma rotina, daquela máscara social a que muitas vezes somos remetidos… E temos várias ao longo do dia, como pais de família, no emprego, numa coletividade”, disse Júlio Martin

Para o ator, que é diretor artístico do Teatro Universitário da Universidade de Lisboa (TUT), cada pessoa assume “diferentes atitudes” e diferentes posturas e o Carnaval permite uma “experiência de liberdade”.

“De repente, posso fazer aquilo que eu quero sem uma autocrítica nem a crítica dos outros”, referiu.

Júlio Martin considera que no Carnaval acontecem as “celebrações do espanto” relacionadas com a natureza e com a possibilidade de cada um se “transformar” e se deixar surpreender consigo mesmo por uma máscara ou com a inesperada “expressão facial” ou “atitude corporal” do outro.

O ator considera que a máscara serve para “ocultar a identidade” e também para “revelar uma outra identidade” da própria pessoa e que em alguns momentos é possível exprimir, o que não é a mesma coisa que ser ator.

“O ator é um profissional, é alguém que está preparado para entrar na pele do outro, encarnar o outro, no fundo dar espaço para acolher o outro, para o interpretar e representar”, afirmou.

O diretor artístico do TUT considera que o Carnaval é uma ocasião de “crítica social e de uma grande liberdade pessoal e corporal”, um “momento em que os corpos não estão condicionados e as pessoas estão livres para vestir e fantasiar aquilo que querem”.

“São momentos importantes como escape de uma rotina, de acesso a uma outra experiência, uma outra forma de estar”, referiu.

Júlio Martin afirmou também que os excessos do Carnaval são uma “complementaridade” em relação à Quaresma, que começa no dia seguinte ao dia de Carnaval.

“A verdade é que a própria vida humana necessita destes ciclos, de momentos propícios a determinados tipos de atividades e expressões. Se precisamos de momentos de alegria e de folia, também precisamos de momentos de reflexão sobre a nossa própria vida, sobre a sociedade e sobre o mundo, sem dúvida”, sublinhou.

A entrevista ao ator Júlio Martin foi emitida no programa Ecclesia, na RTP2, esta segunda-feira.

HM/PR

 

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