Presidente do organismo católico lembra responsabilidade dos políticos e apela à criação de «uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza»

Lisboa, 19 mar 2019 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa diz que a falta de rendimentos económicos continua a ser a primeira causa para as pessoas recorrerem à ajuda da instituição católica, e chama à responsabilidade os políticos para que cumpram com aquilo para que foram eleitos.

Em declarações à Agência ECCLESIA, no âmbito da Semana Nacional da Cáritas que está em curso, Eugénio Fonseca sublinha que “as situações de desemprego, onde se incluem o desemprego de longa duração, o trabalho precário, e a prática de baixos salários têm feito prolongar e agudizar as situações limite em que muitas famílias se encontram”.

Só em 2018 na Cáritas Portuguesa “foram atendidas 121.031 pessoas”, mais de metade das quais em busca de apoios para “alimentos, prestações pecuniárias ou outro tipo de bens”.

No que toca a respostas sociais direcionadas para “crianças e jovens, idosos, família e comunidade, toxicodependência, HIV/SIDA, sem-abrigo, violência doméstica ou migrações, foram beneficiadas 29.289 pessoas”.

“Por detrás destes números, estão pessoas que são a razão para lembrar aos que se comprometeram com o povo português em melhorar as condições de vida dos seus concidadãos que ainda estamos muito longe de o conseguir”, frisa o presidente da Cáritas, que considera “urgente a implementação de uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza”.

Para aquele responsável, “dada a multidisciplinaridade” das ações necessárias, este projeto deveria ser “coordenado pela Presidência do Conselho de Ministros e monotorizado, anualmente, num ‘Debate da Nação’ a realizar no Parlamento”.

“O desígnio de um país, verdadeiramente democrático, nunca estará cumprido enquanto todos os cidadãos não tiverem condições mínimas de subsistência para poderem viver com dignidade”, defende Eugénio Fonseca.

O presidente da Cáritas Portuguesa aborda ainda as eleições europeias que se aproximam, para considerar essa ida às urnas como uma oportunidade para construir “uma Europa que respeite os direitos humanos” e “que coloque a justiça, a solidariedade e o bem comum no centro de suas ações, prestando particular atenção aos mais vulneráveis”.

“Queremos uma Europa que seja inclusiva e acolhedora para reforçar o desenvolvimento de sociedades seguras, onde os migrantes e as comunidades de acolhimento trabalhem em conjunto, reafirmando compromissos mútuos de participação e inclusão”, sustenta Eugénio Fonseca.

Juntos numa só família humana’ é o tema da Semana Nacional Cáritas 2019, que começou no domingo, 17 de março, e vai terminar no dia 24 de março, com a celebração do Dia Cáritas nas 20 dioceses católicas portuguesas.

Este ano, a organização católica desafia a sociedade a olhar com mais atenção para o contexto dos mais pobres e para a importância da defesa do ambiente.

Entre 21 e 24 de março vai ser promovido um peditório público para a organização sociocaritativa da Igreja Católica em Portugal.

JCP

 

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