Em tempos das velocidades os caminhos são imprescindíveis. Sem eles os objectivos permanecem longínquos e de prossecução difícil. Aplaudem-se, por isso, as auto-estradas – quer terrenas, quer informáticas – e criticam-se os difíceis acessos. Outrora tudo parecia mais fácil e as populações contentavam-se com o que havia ou era possível. Hoje a pressa não se contemporiza com algo que detenha ou impeça o ritmo da caminhada. Passando da linguagem humana e penetrando no âmbito da fé, sabemos que o ser humano é oriundo de Deus e caminha para Ele. Muitos parecem ou teimam em negar esta evidência. Creio, porém, que o coração humano continuará intranquilo enquanto não O encontrar. Aí reside o âmago da existência humana. Negar esta certeza conduz ao encontro de sucedâneos vazios de conteúdos que distraem mas não respondem ao porquê da vida. A Igreja é este “sacramento” do divino entre os homens e deveria tornar-se no seu “ser” e no seu “agir” um local rápido de encontro com Deus. Acontecerá? A sua dinâmica sacramental e os momentos de devoção geram encontro ou afastam do essencial? Desde os primórdios do cristianismo a devoção a Maria surgiu como um apontar de caminho para o encontro com o Cristo. A Sua vida foi um “fazei o que Ele disser” e a história, na variedade das invocações ou no reconhecimento de verdade ou dogmas, testemunha que por Ela é necessário chegar a Deus. Se a Igreja e o Povo cristão souberam, ao longo dos tempos, colher esta lição dum “vazio humano” plenificado por um “sim” incondicional na aventura duma “viagem” a exigir adesão aos caminhos de Deus, que poderiam não coincidir com os seus – vejamos a experiência da Anunciação -, hoje teremos de redescobrir esta particularidade única de Maria. Ela é grande porque os Seus caminhos coincidiram com os caminhos de Deus. Se condenamos os maus acessos ou a deficiência de sinalização, teremos de corrigir e regressar à verdadeira devoção mariana que se sintetiza na alegria do filho em ser como a mãe. Dá prazer e alegria ver os nossos Santuários Marianos. Eles atraiem multidões permanentemente. Mas o que recebem estas multidões nesses lugares. Maria quer que os devotos caminhem ao encontro de Deus. Não estaremos, por incúria, inércia, apego ao passado ou a tradições, a cortar os seus caminhos não permitindo o verdadeiro encontro? Gosto de olhar para Maria como a discípula e como a apóstola. Percorreu caminhos de escuta da Palavra de Deus e do Filho que acolhia no seu coração e vivia; lançou-se na alegria de gastar a vida para que outros se encontrassem com o Filho. Mais do que nunca a Igreja deve percorrer os caminhos de Maria. Só que importa que estes sejam os justos, os verdadeiros, nunca feitos de imitação ou camuflagem. Como “Mãe da Igreja” ela conduzirá a verdadeira experiência do sobrenatural através de algo que envolva muito de místico e contemplativo. Por outro lado, os santuários terão de tornar-se este “farol”, “bússola” onde se respira não só uma religiosidade mas uma verdadeira religião no duplo sentido de “ligação” a Deus e de observância, feita testemunho, duma pastoral de vanguarda. Este Congresso será mais uma “coroação” de Maria que ajudará a estimular uma devoção autêntica, a purificar de possíveis imperfeições para um encontro com Deus nos Santuários como aquilo que o homem moderno precisa embora pareça disfarçar. Maria o quer e nós o alcançaremos. + Jorge Ortiga, A. P.
