«Não há grande excitação ou grande alarmismo», disse padre Carlos Gabriel, da capelania católica de língua portuguesa

Foto: Lusa/EPA

Londres, 31 jan 2020 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales publicou uma mensagem por ocasião do ‘Brexit’, sublinhando que a saída formal do Reino Unido da União Europeia (UE), que acontece hoje às 23h00 de Lisboa, é uma “oportunidade de ir para além das divisões”.

“É importante que todos renovem um compromisso uns com os outros através de atos quotidianos de bondade, sejam bons vizinhos, acolham o estrangeiro e cuidem dos mais vulneráveis em nossa sociedade”, escreveu o cardeal Vincent Nichols.

O presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Inglaterra e País de Gales acrescenta que, dessa forma, podem contribuir para “o bem comum em todos os níveis da sociedade, da política nacional à generosidade individual”, particularmente com os que “sofrem mais dificuldades e incertezas”.

“Como católicos, com todas as pessoas de boa vontade, nos comprometemos a desempenhar nosso papel nesse empreendimento”, concluiu o cardeal Nichols.

Em 60 anos de história, o Reino Unido é o primeiro Estado-membro a sair da União Europeia.

O padre Carlos Gabriel, da Comunidade Católica de Língua Portuguesa no Reino Unido, disse hoje que, no “grupo de pessoas ligadas à capelania”, que encontra regularmente, “não há grande excitação ou grande alarmismo em relação ao acontecimento”.

“As pessoas têm andado a ouvir falar disto há mais de três anos, foram sendo psicologicamente preparadas, preparam-se mentalmente para isto. Para a comunidade que está aqui, que é mais estabelecida já tem a papelada toda, os direitos de residência, tem uma vida estabelecida, o Brexit não vai representar grande dificuldade”, desenvolveu, em declarações à Agência ECCLESIA.

O sacerdote português adianta que, ao longo destes anos, não viu “grande entusiasmo por parte das pessoas”, mesmo nas reuniões da Embaixada em que participou.

Esta noite, às 22h00, o primeiro-ministro inglês Boris Johnson vai fazer uma declaração, um discurso já gravado, e o seu gabinete já divulgou um excerto.

“O nosso trabalho como governo – o meu trabalho – é unir este país e levar-nos em frente. E a coisa mais importante a dizer hoje à noite é que isto não é um fim, mas um começo. É o momento em que o amanhecer se abre e a cortina sobe para um novo ato. É um momento de verdadeira renovação e mudança nacional”, segundo a informação adiantada pelo gabinete do primeiro-ministro.

O padre Carlos Gabriel observa que os ingleses “têm o direito a forjar o seu destino e a tomar as suas decisões”, e que Boris Johnson, um “homem bastante extrovertido e carismático”, provou “arrastar o eleitorado” para a sua opinião.

“Agora está a lançar o ramo de oliveira a todas as pessoas, a todos aqueles que não concordam com o Brexit, para aquilo que ele quer”, desenvolveu, lembrando Boris Johnson foi presidente da Câmara de Londres “e fez um bom trabalho”, não havendo razões para “pensar que vai atirar o país para o abismo, para as falésias de Dover”.

O delegado da Comunidade Católica de Língua Portuguesa no Reino Unido explica que a missão “é uma referência” principalmente para “um grupo relativamente pequeno” de pessoas que vai à Missa aos domingos e para “as jovens famílias que têm filhos na catequese”.

CB/OC

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