Por ocasião do Dia da Pátria, D. Walmor Oliveira de Azevedo criticou poder económico, condenou o «armamento da população» e exortou brasileiros a não serem indiferentes à exclusão social e optarem por uma «cidadania e participação política»

Foto: D. Walmor de Azevedo, novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB

Brasília, 04 set 2021 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, D. Walmor Oliveira de Azevedo, pediu aos cristãos para “não serem indiferentes” à exclusão social e afirmou a importância de medidas públicas para que os pobres regressem ao trabalho.

“A fome é a realidade de quase 20 milhões de brasileiros. Aquele pai que não tem alimentos a oferecer para o próprio filho é seu irmão. Nosso irmão. Do mesmo modo, a criança e a mulher feridas pela miséria são suas irmãs, nossos irmãos e irmãs”, afirmou o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, numa mensagem gravada em vídeo por ocasião do Dia da Independência do Brasil, celebrado a 7 de setembro.

A data que os brasileiros celebram, “deve inspirar ao reconhecimento de que todos são irmãos, inclusive daqueles com quem não se concorda”.

D. Walmor oliveira de Azevedo lamentou a raiva e intolerância e criticou quem, em nome de ideologias, se dedica a ofensas e à defesa do armamento da população.

“Quem se diz cristão ou cristã deve ser agente da paz e a paz não se constrói com armas. Somos todos irmãos. Esta verdade é sublinhada pelo Papa Francisco na carta encíclica Fratelli Tutti”, disse.

O responsável sublinhou a importância do dia 7 de setembro como a ocasião para o exercício da cidadania, numa participação política que reivindique “direitos, com liberdade” e tenha como objetivo o “fortalecimento das instituições que sustentam a Democracia”.

“Não se deixe convencer por quem agride os poderes Legislativo e Judiciário. A existência de três poderes impede a existência de totalitarismos”, disse.

D. Walmor Oliveira de Azevedo critica quem usa verbos como “agredir, eliminar, hostilizar, ignorar ou excluir” que, afirma, “são verbos que não combinam com um sistema democrático” e agridem a democracia.

O presidente da CNBB pediu que ainda que se regresse ao olhar “os povos indígenas, povos originários”, “historicamente perseguidos e dizimados” que hoje “enfrentam graves ameaças do poder económico ganancioso que extrai e que tudo faz para exaurir os recursos naturais”.

“A exploração desmedida e irracional do solo, com a derrubada de florestas, está levando à escassez de água em nossas torneiras. Não podemos deixar que o Brasil, reconhecimento internacionalmente por ser rico em recursos naturais, seja devastado e torne-se uma terra arrasada”, exortou.

“No dia da Pátria, 7 de setembro, rezemos para que o Brasil encontre um caminho para superar as suas crises. Rezemos também pelas vítimas da Covid-19 “, finalizou.

LS

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