D. José Cordeiro falou aos jornalistas e abordou acompanhamento das pessoas divorciadas na diocese transmontana

Bragança, 24 jan 2018 (Ecclesia) – O bispo da Diocese de Bragança-Miranda advertiu hoje para o “isolamento” que as pessoas sentem no território transmontando, apelando a uma “maior articulação” das forças políticas, por uma “visão global” para região.

“Nalgumas dessas aldeias mais despovoadas, o que senti é esta dor profunda de dizerem: já fomos abandonados por todos, que a Igreja não nos abandone”, assinalou D. José Cordeiro, no encontro anual com a comunicação social para assinalar o dia do padroeiro dos jornalistas, São Francisco de Sales.

D. José Cordeiro admitiu que teve “muita pena” com o desaparecimento da figura do governador civil.

O responsável diocesano falou ainda do acompanhamento das pessoas divorciadas e recasadas.

“Todas aquelas pessoas que apresentam a possibilidade da nulidade do matrimónio, estamos a estudar caso por caso, a acolher e a ouvir”, precisou o bispo de Bragança-Miranda.

Em novembro de 2017, o Papa reforçou a necessidade de simplificar e tornar mais rápidos os processos das causas de declaração de nulidade de matrimónios celebrados na Igreja Católica.

Os novos procedimentos nesta matéria foram determinados nos documentos ‘Mitis Iudex Dominus Iesus’ e ‘Mitis et Misericors Iesus’, aprovados a 15 de agosto de 2015, com os quais Francisco decidiu reformar o processo canónico para as causas de declaração de nulidade, tornando-os mais simples e breves, com maior poder de decisão para os bispos diocesanos.

O mesmo Papa propõe na sua exortação apostólica sobre a família, ‘Amoris Laetitia’, publicada em 2016, um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

D. José Cordeiro disse hoje que se trata de um processo “muito difícil”, mas que abre o acesso aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência aos divorciados em nova união.

“Depois desse processo de discernimento, poderá acontecer isso”, precisou.

O encontro com os jornalistas ficou marcado por uma homenagem da diocese ao padre Telmo Ferraz, de 92 anos, natural de Bruçó, Mogadouro, cujo trabalho social passou pelo apoio aos trabalhadores da barragem de Picote e por Angola, onde foi responsável da Casa do Gaiato de Malanje.

O percurso de vida do sacerdote inspirou o  livro ‘O homem que do lodo fez estrelas’.

OC

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