Instituição fala «em franca recuperação», depois de um surto, com «total colaboração e caridade cristã» entre colaboradores e utentes

Foto: scm-braganca.pt/

Bragança, 27 out 2020 (Ecclesia) – O padre José Carlos Martins, capelão da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, está a acompanhar o surto de Covid -19 na instituição e afirmou que a recuperação dos utentes é “uma vitória”.

“Já se consegue gerir a situação dos que estão doentes. Há 15 dias foi exaustivo. Agora vamos tendo recuperações, vamos gerindo e a situação está estabilizada. Temos a alegria de acompanhar recuperações e cada recuperação é uma vitória”, disse hoje o sacerdote à Agência ECCLESIA.

O gabinete de comunicação da Santa Casa da Misericórdia de Bragança confirma a existência de 100 utentes a “testar positivo”, mas indica que “a maioria está assintomática”.

Eugénia Pires dá conta de uma “franca recuperação” e de que as entidades de saúde pública afirmam “já não se tratar de um surto”.

“Estamos a entrar na normalidade. Com a situação da pandemia, foi reforçado o quadro clínico e de enfermagem, para acompanhamento diário constante aos nossos utentes que, mais do que a saúde, ficaram psicologicamente afetados, pela mudança de rotinas. Estamos todos a fazer um esforço e estamos dedicados para voltarmos à normalidade”, refere a responsável à Agência ECCLESIA.

A Santa Casa da Misericórdia de Bragança tem, na sua totalidade 360 colaboradores e o foco de Covid-19 surgiu numa estrutura residencial para pessoas idosas, havendo casos de morte pela doença.

Atualmente, informa o gabinete de comunicação, há 38 colaboradores “que testaram positivo” e 11 já recuperados.

Foto: Diocese Bragança-Miranda

O padre José Carlos Martins fala da importância de acompanhar também os colaboradores, sem esquecer as famílias, “em especial as que estão enlutadas”.

“Uma perda é sempre uma perda, quando mais ainda sem estarmos preparados. Tenho procurado estar, presencialmente, quando é possível e necessário. A Capelania continua ativa e com serviços disponíveis não tanto como gostaríamos e até segundo o que é necessário, mas fruto dos constrangimentos, procuramos levar um conforto espiritual a todos”, indica.

“Aos utentes procuro dar uma palavra de esperança: a alguns não é possível falar pois estão mais debilitados, mas tenho falado com outros. E aos colaboradores, procuro manifestar gratidão pelo seu trabalho”, acrescenta.

Considerando que o seu serviço e missão “não se impõe, mas propõe-se”, o capelão tem procurado “estar junto das respostas sociais”, auxiliado também pelas tecnologias e pelo telefone.

“O meu telemóvel toca mais nesta altura, é verdade, mas o capelão é como um médico, está sempre ligado, nunca me incomodam e o telemóvel nunca está desligado. Não faço mais do que a minha missão que é servir. É uma experiência nova mas muito gratificante”, enfatiza.

O padre José Carlos Martins dá ainda conta de uma “total colaboração” entre todos, “desde a mesa administrativa, utentes e colaboradores”, sublinhando a prática de uma “caridade cristã, que vai além da solidariedade”.

O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, acompanha “diariamente” o evoluir da situação, “sempre com palavras de conforto, ânimo e gratidão por todo o trabalho desenvolvido”, explica o capelão.

“A situação está a melhorar com todos os cuidados. Seguimos as indicações da saúde pública e as normas internas. Nas próximas semanas vamos ter notícias positivas”, conclui o sacerdote.

LS/OC

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