Tradição do século XVII leva pastores ao cimo do monte, no próximo domingo

Foto: www.guiadacidade.pt/

Braga, 02 jun 2022 (Ecclesia) – O padre José Miguel Neto, pároco de Valdreu, onde se localiza o Santuário de Santo António de Mixões da Serra, na arquidiocese de Braga, disse à Agência ECCLESIA que tem “grande expetativa” para a concretização da festa e o regresso da bênção dos animais.

“Esta é uma tradição antiga do santuário que remonta ao século XVII, reza a história que a devoção começou nos anos de 1600 num período complicado para os pastores e habitantes da serra, porque havia ataques de lobos ao gado e uma doença que as pessoas falavam em peste e estava a dizimar os rebanhos e as manadas de vacas, sobretudo”, refere.

O sacerdote que, pela primeira vez vai presidir à bênção dos animais, neste domingo, tem “grande expectativa” para a festa deste ano.

“Esta tradição passou a ser uma semana antes do dia de Santo António, porque o espaço ficava muito sujo com a presença dos animais, e ficou a ser a bênção no domingo antes do dia 13 de junho”, explica.

Os pastores e o gado “vêm dos concelhos vizinhos” e o padre José Miguel Neto partilha que os “animais vêm enfeitados e os pastores continuam a pedir a graça dos bons partos dos animais e que haja crias saudáveis”.

“As pessoas naquela altura fizeram uma promessa a Santo António que se os livrasse da peste e dos ataques do lobo iam construir uma capela no alto do monte em honra do santo, não há uma data certa da primitiva capela, que já não existe, mas a confraria de Santo António tem registos dos estatutos em 1680”, afirma.

O santuário, na arquidiocese de Braga, é privilegiado na “vista panorâmica” e também muito procurado por isso.

Dali vê-se toda a área envolvente dos concelhos limítrofes, Ponte da Barca, Terras de Bouro, concelho de Vila Verde, a abrangência natural é muito grande para as serras vizinhas, um dos pontos de atração atualmente, a sua beleza natural, inserção na paisagem e pela sua localização ter esta vista alargada”.

Este domingo acontece a bênção dos animais, pelas 11h00; a 12 de junho decorre a procissão em honra de Santo António, com Eucaristia, pelas 15h00, pelos irmãos falecidos da Confraria.

A 13 de junho celebra-se a Eucaristia, seguida de procissão.

“Há ainda a componente lúdica e cultural, à tarde aparece sempre um racho folclórico para animar as pessoas que levam o seu farnel para a festa e a sua concertina, algo típico aqui do Minho, há um grupo que se junta e logo aparecem pares para dançar e cantam ao desafio, como aqui se diz na zona”, resume.

Esta entrevista integra o programa de rádio ECCLESIA, este sábado na Antena 1, pelas 06h00, sob o mote do “envio”, ficando depois disponível online.

SN

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