Sara Poças destaca que a campanha Juntos por Cabo Delgado «superou as expetativas»

Braga, 15 abr 2021 (Ecclesia) – Sara Poças, diretora do Centro Missionário da Arquidiocese de Braga, disse hoje à Agência ECCLESIA que a campanha solidária ‘Juntos por Cabo Delgado’ conseguiu dois contentores para envio de “materiais para reinserção na vida ativa”. 

“A campanha superou as nossas expetativas e já pedimos o segundo contentor, em vez de só um, porque há muitos materiais e materiais novos, muito bons”, revelou.

A campanha “Juntos por Cabo Delgado”, promovida pelo Centro Missionário da Arquidiocese de Braga em parceria com a diocese de Pemba, destina-se a apoiar os projetos de reinserção na vida ativa, que a Cáritas de Moçambique tem no terreno e a Câmara de comércio Portugal-Moçambique, de Pemba, assegura o envio.

“São projetos de reinserção na vida ativa e pedimos ferramentas de carpintaria, utensílios de cozinha, ferramentas agrícolas, de serralharia e costura que vieram de todo o país, através de parceiros mas, essencialmente, vieram dos arciprestados da arquidiocese de Braga, seja de pessoas particulares seja do tecido empresarial”, contou a responsável. 

Esta campanha de materiais terminou a 31 de março de 2021 e, neste momento, encontra-se em fase de preencher o segundo contentor onde ainda podem caber “lonas e tendas” que foram o que receberam menos.

O “outro lado” desta campanha, que decorre desde setembro, destina-se à ajuda monetária e ainda está a decorrer.

Sara Poças recorda a “proximidade da Igreja de Braga com Moçambique, em Pemba”, nomeadamente o acompanhamento de toda a realidade dos ataques violentos em Cabo Delgado.

“Temos acompanhando desde 2017 e, como igreja de Braga que está na diocese de Pemba, inclusive com missionários, temos sofrido com esta situação desde o início; a Igreja local, o país e agora também o mundo está a sofrer com esta situação”, afirma.

Os ataques violentos já fizeram mais de 700 mil deslocados internos, numa catástrofe humanitária sem precedentes na região e, em Pemba, há famílias que são acolhidas. 

“Os deslocados que saem das zonas de conflito têm sido alojados em famílias, e reassentamentos, terrenos que o Governo disponibiliza, o território da nossa missão, em Ocua, também acolhe famílias de deslocados”, conta.

Segundo a entrevistada a missão de Ocua tem apoiado as famílias de deslocados através da disponibilização de uma “machamba”, um terreno de cultivo para que possam “cultivar a terra e garantir a sustentabilidade alimentar”. 

Naquela missão encontra-se uma missionária portuguesa, desde outubro de 2020, que tem assistido à “instabilidade e insegurança” daquelas famílias, bem como a situações dramáticas de “pessoas que viram morrer e ficarem para trás”.

SN

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