D. Jorge Ortiga lavou os pés a doze universitários na Missa Vespertina da Ceia do Senhor

Braga, 18 abr 2019 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga perguntou se “o cristianismo não tem valor ou se são os cristãos que não se comprometem com o radicalismo inovador e construtor”, na Missa onde lavou os pés a jovens que “procuram estruturas e projetos de vida”.

“O mundo necessita de uma nova cultura capaz de nos oferecer um mundo melhor. Não uma cultura que junte saberes isoladamente mas uma cultura do encontro, de pessoas e conhecimentos, numa interdisciplinaridade capaz de oferecer bem-estar a toda a Humanidade”, disse D. Jorge Ortiga.

Na homilia da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, assinalou que o amor de Cristo “torna o mundo uma pequena aldeia” e a complexidade dos problemas “exige muita competência e vanguardismo intelectual”.

Perante a realidade que estavam a celebrar – da instituição da Eucaristia, da cerimónia do lava-pés, do mandato de anunciar e viver o amor – o arcebispo de Braga perguntou se não serão “capazes de dar ao cristianismo aquela força revolucionária que sempre teve”.

“É o cristianismo que não tem valor ou são os cristãos que não se comprometem com o seu radicalismo inovador e construtor de um mundo novo”, acrescentou.

D. Jorge Ortiga lavou os pés a doze estudantes universitários e explicou que são jovens que “procuram” estruturas e projetos de vida que “podem ser interpretados egoisticamente ou como sentido de responsabilidade social”.

“O Papa não quer que os jovens sejam a geração do futuro, mas que sejam a geração capaz de delinear processos, com competência e abertura aos novos desafios lançados por esta sociedade pós-moderna, onde a paixão de Cristo por um mundo mais humano adquire protagonistas para mudanças que importa empreender”, desenvolveu.

‘Viver Cristo e a vida com entusiasmo’ foi o título da homilia da Missa vespertina da Ceia do Senhor e o arcebispo explicou que há momentos na vida em que se sente “uma satisfação interior” quando se lê algum texto, por vezes, encontra-se a confirmação daquilo que “deu um sentido novo à vida, marcou e deu origem “a experiências novas, como se de uma autêntica conversão se tratasse”, como quando leu o quarto capítulo da Exortação Apostólica ‘Cristo Vive’, dedicada à juventude.

“Regressei à minha juventude e interiorizei o que revolucionou o meu ser de padre jovem. O Santo Padre diz que quer anunciar “o mais importante, o principal, aquilo que nunca se deveria calar” (C.V. 111). São três verdades fundamentais para os jovens e para todas as pessoas de boa vontade”, explicou, adiantando que as verdades são “Deus é amor, Cristo salva, Ele vive e suscita a vida”.

Neste contexto, assinalou que a liturgia de hoje recomenda que celebrem “o amor de Deus” e aceitem “o mandato de o semear no coração da sociedade”.

“A Eucaristia, sacramento do amor pela entrega de Cristo, é semente de um mundo novo com espaço para todos”, acrescentou o arcebispo de Braga.

D. Jorge Ortiga realçou a “responsabilidade” de fazer Jesus “presente em toda a Humanidade”, uma vez que, quando nasceu “era um simples galileu”, identificou-se com todos os homens, “de todas as épocas e circunstâncias” e está “no rico e no pobre, no empresário ou no trabalhador, no médico ou no doente, no português ou no cidadão de qualquer parte do mundo, no estudante e no professor, no membro da minha comunidade ou no seguidor de qualquer religião”.

CB

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