D. José Cordeiro presidiu à abertura solene do ano letivo do Seminário Maior Conciliar de São Pedro e São Paulo, celebrada na paróquia das Caxinas

Caxinas, 08 nov 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga desafiou hoje os seminaristas e os jovens a viverem o caminho vocacional como uma procura contínua de Cristo, sublinhando que a fé amadurece mais pela capacidade de fazer perguntas do que pela posse de respostas definitivas.
“Eis o grande desafio, seguir Jesus Cristo com perguntas e não com respostas”, afirmou D. José Cordeiro na abertura solene do ano letivo do Seminário Maior Conciliar de São Pedro e São Paulo, celebrada na paróquia das Caxinas.
Partindo da pergunta de Jesus aos primeiros discípulos, “Que procurais?” (Jo 1,38), que orienta o ano letivo do seminário, o arcebispo explicou que a vocação exige uma resposta pessoal, discernida e renovada ao longo da vida.
“A pergunta vocacional é uma dessas perguntas que requer resposta pessoal, e uma resposta maturada e discernida, que se vai respondendo não de uma vez, mas ao longo de toda a vida”, assinalou, numa intervenção divulgada pela Arquidiocese de Braga.
Segundo D. José Cordeiro, a inquietação própria da procura de Deus afasta os discípulos da acomodação e abre caminho a uma relação mais profunda com Cristo.
Recordando o episódio do Evangelho de São João em que Jesus responde aos discípulos com o convite “Vinde ver”, o responsável católico salientou que o seguimento cristão nasce de uma experiência concreta de encontro e não apenas de um conjunto de explicações ou ensinamentos.
“Jesus não diz o que fazer, o que buscar, mas tão só ‘vinde ver’, isto é, fazei a experiência comigo”, referiu.
O arcebispo primaz observou que a descoberta de Cristo leva naturalmente ao testemunho e ao convite dirigido a outros, à semelhança do que acontece com André, Pedro, Filipe e Natanael no relato evangélico.
Referindo-se ao papel do Seminário, D. José Cordeiro descreveu-o como uma casa onde aqueles que procuram Jesus aprofundam a configuração com Cristo, Bom Pastor.
“Que a pergunta que Jesus faz aos discípulos, ‘Que procurais?’, esteja sempre nas vossas mentes e no vosso coração guiando o vosso caminho de discernimento”, desejou aos seminaristas.
A celebração decorreu no contexto da Semana de Oração pelos Seminários, vivida sob o lema “Comunidade que reza, Seminário que floresce”.
A partir da imagem de uma planta que precisa de solo, água, luz e cuidado para crescer, o arcebispo de Braga destacou a importância das famílias e das comunidades cristãs no acompanhamento das vocações sacerdotais.
“As famílias e as comunidades de origem de um seminarista, com as suas orações e presença, são como que o adubo que ajuda ao fortalecimento da planta”, afirmou.
O responsável pela Arquidiocese de Braga apelou ainda à oração por modelos de formação capazes de responder aos desafios atuais da Igreja e da sociedade.
“Temos de continuar a rezar para que o Senhor nos mostre os caminhos a seguir para encontrarmos o modelo de Seminário adequado às pessoas e aos tempos de hoje”, referiu, defendendo uma formação orientada para uma Igreja “sinodal, samaritana e missionária”.
OC
