Barcelona: Papa abençoou Torre de Cristo, a mais alta da Sagrada Família, no centenário da morte de Gaudí

Papa defendeu rejeição da guerra e da discriminação, perante autoridades políticas

Foto: Lusa/EPA

Barcelona, 10 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa abençoou hoje da Torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família, que se tornou a mais alta do mundo, pedindo que seja um sinal de fé e esperança para a sociedade.

“A Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do Esposo”, alertou Leão XIV durante a homilia da Missa a que presidiu em Barcelona.

A cerimónia desta tarde reuniu quatro mil participantes no interior da nave e congregou igual número de fiéis no espaço exterior, com as presenças dos monarcas de Espanha, do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao lado do presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa.

“Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria”, declarou o Papa.

A cerimónia evocou ainda o centenário da morte do arquiteto Antonio Gaudí (1852-1926), que aceitou dirigir a obra da Sagrada Família no ano seguinte ao lançamento da primeira pedra, em 1883.

O Papa descreveu a nova cruz, com mais de 170 metros, como um sinal de compromisso dos católicos.

“A torre da cruz transforma-se então em estandarte da caridade, porque Deus nos ama assim, transformando um instrumento de morte num sinal de esperança”, explicou.

A cerimónia começou com o acolhimento oficial a Leão XIV pelo rei de Espanha, Felipe VI, antes da apresentação da maquete da torre por Valentina, uma menina invisual, que descreveu os vários detalhes da estrutura.

O Papa chegou ao local após um percurso em papamóvel, acompanhado por milhares de pessoas pelas ruas de Barcelona; o pontífice desceu à cripta do templo para prestar homenagem, em oração, junto do túmulo de Antoni Gaudí, cujo processo de canonização se encontra a decorrer no Vaticano.

O arquiteto faleceu a 10 de junho de 1926, após ter sido atropelado por um elétrico quando saía do estaleiro desta obra.

Na homilia da Missa, o Papa convidou os fiéis a levantar o olhar, tema da sua viagem à Espanha, iniciada no sábado, e a “erguer o rosto daqueles que jazem no pó”.

Leão XIV lembrou que os crentes deve ser “pedras vivas”, destacando o trabalho desenvolvido na construção da Basílica.

Muito mais do que um monumento, ada Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus.”

Foto: Lusa/EPA

A infraestrutura, financiada exclusivamente por donativos privados, conta com dezoito campanários projetados, faltando ainda edificar as torres centrais dedicadas à Glória.

“Não habitamos, portanto, uma obra inacabada, mas um templo ainda em construção. A sua imperfeição não é um defeito, pois testemunha um desejo; não significa uma falta, mas expressa uma promessa que queremos honrar com coerência”, sustentou o Papa.

Gaudí idealizou o interior do templo como um enorme bosque, projetando colunas com forma de árvore para suportar todo o peso estrutural sem recurso a contrafortes.

Leão XIV falou da Basílica como “sinal de unidade e concórdia para toda a Espanha”, numa homilia em castelhano e catalão.

Lembramos e agradecemos todos os promotores e benfeitores, os artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz.”

Foto: Lusa/EPA

A cerimónia culminou com a iluminação da Cruz de Cristo, que atinge os 172,5 metros de altura; o revestimento combina vidro e cerca de 15 mil peças de cerâmica branca esmaltada.

Os braços da cruz têm pequenas janelas, por onde entra a luz, e das quais se vai poder contemplar a paisagem a partir de 2028, quando as obras no interior estiverem concluídas.

Leão XIV abençoou a Torre de Cristo a partir do ponto central da ferradura da fachada do Nascimento, antes de um espetáculo de luz e música, com recurso a drones e fogo de artifício.

A 7 de novembro de 2010, Bento XVI presidiu à Missa em que dedicou a Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

O “templo expiatório” – assim chamado porque é construído apenas com donativos privados – é uma igreja monumental iniciada em 1882, a partir do projeto do arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar (1828-1901), mas foi Gaudí quem lhe traçou um novo destino.

OC

Notícia atualizada às 20h57

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