Sem campanha nos supermercados, apoio passa pelas campanhas online

Foto: Presidência da República

Lisboa, 12 mai 2020 (Ecclesia) – A presidente dos Bancos Alimentares Contra a Fome disse “há muitos mais pedidos de apoio” por causa do coronavírus Covid-19 e contabiliza “à volta de 59 mil pessoas” que se somam às as 380 mil” que já ajudavam.

“Neste momento temos uma pobreza conjuntural muito severa de pessoas que não sabiam o que era estar em pobreza. E são pessoas que tinham profissões liberais, eram feirantes, ou tinham um táxi, que nunca viveram em pobreza e não sabem lidar com essa situação”, explicou hoje Isabel Jonet, em declarações à Agência ECCLESIA.

A entrevistada assinala as pessoas “com carências” por causa da pandemia de Covid-19 “não podem trabalhar e não têm onde ganhar o seu pão”.

“É uma realidade muito dura, é estranha a uma quantidade de pessoas que não estavam habitualmente nesse tipo de situação e que não sabem lidar com ela porque tinham as suas finanças equilibradas e de um momento para o outro não têm dinheiro, e muitas vezes estas famílias não têm poupanças, porque apesar de terem finança s equilibradas não tem rendimentos a mais”, acrescentou.

Isabel Jonet adiantou que “hoje de manhã eram mais de 15 200” os pedidos de ajuda no sítio online da Rede de Emergência Alimentar, mas “um pedido de ajuda não é uma família, nem uma pessoa, pode ser 150 pessoas como o caso da comunidade brasileira da Marinha Grande”.

“Temos à volta de 59 mil pessoas a mais do que as 380 mil a quem já dávamos ajuda. Os Bancos Alimentares já contribuíam para a alimentação de 4% da população portuguesa e, neste momento, temos acréscimo dos pedidos, mas o abastecimento não pode ser o habitual e temos de ir à procura de outro para poder alimentar esta rede com produtos”, desenvolveu.

Para Isabel Jonet “os pedidos vão continuar a aumentar”, por isso, neste momento é necessário “alertar as empresas” que “talvez a maior responsabilidade social hoje seja manter o emprego”.

A seguir ao período do lay-off vai haver muito desemprego e isso vai ser uma fatalidade. A única maneira de combater a pobreza é gerando riqueza, mas não no olhar economista, é gerando emprego, senão conseguimos gerar emprego e pôr a máquina da economia a funcionar não se consegue lutar conta a pobreza, é impossível”.

A presidente da rede de Bancos Alimentares Contra a Fome em Portugal explica que foi criada a Rede de Emergência Alimentar, que conta com todos os centros sociais e paroquiais, Conferências de São Vicente de Paulo; às instituições da Igreja Católica “juntam-se muitas” das Igrejas Evangélicas, quee trouxeram para este universo as juntas de freguesia e autarquias para “poderem substituir as respostas sociais que encerraram” por causa da pandemia.

Esta segunda-feira, Isabel Jonet foi recebida pelo presidente da República que queria conhecer “a situação real que afeta tantas famílias” e explica que transmitiram “aquilo que se passa no tereno” onde muitas famílias carenciadas “têm uma vida muito mais difícil porque têm muito menos”.

A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome acrescenta que Marcelo Rebelo de Sousa também queria saber qual a realidade da Rede de Emergência Alimentar e como é que vão fazer com a campanha de recolha de bens que dinamizam anualmente no final de maio nos supermercados e que foi cancelada.

“Quando não temos as pessoas nos supermercados temos de ser inovadores: vamos ter vales e vamos ter comunicação transformando cada pessoas que vai à loja num voluntário”, declarou.

“Podemos estar lá à mesma através do vale e temos de conseguir comunicar este apelo que precisamos porque há muitas pessoas que precisam”, desenvolveu, assinalando que a campanha solidária também se vai realizar através dos meios online.

Neste contexto, Isabel Jonet explicou que “todas” as pessoas ou empresas que queriam doar produtos podem fazê-lo através do sítio online ‘alimentestaideia.pt’ ou “da entrega de um donativo em dinheiro ou produtos no Banco Alimentar da sua região”, e não +e preciso agendar, “basta aparecer” no horário de funcionamento.

CB/OC

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