Balasar: Núncio apostólico dedica Santuário Eucarístico e desafia católicos a «iluminar» sociedade

Espaço consagra espiritualidade e mística da Beata Alexandrina Maria da Costa

Foto: Arquidiocese de Braga

Balasar, 11 out 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal presidiu hoje à dedicação do novo Santuário Eucarístico de Balasar, apelando aos crentes que assumam a responsabilidade de “iluminar” uma sociedade “desorientada”.

“Nosso Senhor não nos chamou a deslumbrar; chamou-nos a iluminar”, exortou Dom Andrés Carrascosa Coso, representante do Papa Leão XIV, durante a homilia da celebração desta tarde, na localidade da Arquidiocese de Braga.

O arcebispo espanhol partiu da simbologia litúrgica do rito de dedicação para sublinhar que a luz da fé exige um compromisso prático no meio das trevas e das incertezas do mundo contemporâneo.

“Numa sociedade tantas vezes desorientada, nós, cristãos, temos a responsabilidade de ser pontos de referência”, declarou o responsável diplomático, perante milhares de participantes.

O núncio apostólico refletiu sobre o uso do incenso e do santo crisma no altar para recordar que o testemunho de vida autêntico se sobrepõe sempre ao vazio de um discurso meramente teórico.

“As pessoas estão cansadas de palavras e procuram testemunhas de vida”, diagnosticou D. Andrés Carrascosa Coso.

A intervenção valorizou o legado espiritual da Beata Alexandrina Maria da Costa, natural daquela localidade, recordando como a sua paralisia física não a impediu de desenvolver um coração universal.

“Alexandrina recorda-nos que uma vida aparentemente inútil aos olhos do mundo pode possuir uma extraordinária fecundidade”, sustentou.

Alexandrina Maria da Costa nasceu a 30 de março de 1904, em Balasar, Póvoa de Varzim, na arquidiocese de Braga, e morreu no dia 13 de outubro de 1955; em 2004 foi beatificada por São João Paulo II, no dia 25 de abril, e a nota biográfica da beatificação refere que “depois de 27 de março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia”.

O núncio apostólico lembrou que a mística portuguesa transformou o sofrimento através de uma matriz eucarística, recusando ficar fechada nas suas dores.

“A fé cristã não elimina necessariamente a fragilidade, a doença ou as situações irreversíveis, mas pode dar-lhes um sentido novo “, apontou.

A sua santidade desenvolveu-se no meio das circunstâncias comuns, e depois extraordinariamente dolorosas da sua existência, mas ela ensina-nos que a santidade não está reservada àqueles que realizam grandes obras. A santidade pode amadurecer numa casa, numa família, na doença, no trabalho.”

Horas após o anúncio feito pelo Papa de que iria ser operado a um nódulo no pulmão, D. Andrés Carrascosa Coso pediu aos peregrinos que rezem por Leão XIV.

“Quando Pedro estava em dificuldade, a Igreja de Deus orava por ele”, recordou.

A dedicação da igreja e do altar do Santuário Eucarístico de Balasar contou com a deposição de uma arca-relicário em pedra de Ançã na base do novo altar, recuperando uma prática litúrgica primitiva da Igreja bracarense em uso entre os séculos V e XIII.

A cavidade retangular acolheu um cofre de madeira selado com nove almofadas de linho contendo relíquias da Beata Alexandrina Maria da Costa, São Pedro de Rates, São Frei Bartolomeu dos Mártires, São Frutuoso, São Geraldo, São Martinho de Dume, São Félix Torcato, Beato Mário Félix e São Carlo Acutis.

A celebração litúrgica contou com a presença de uma dezena de bispos portugueses, bem como do postulador geral da causa de canonização da beata, o padre salesiano Pierluigi Cameroni, e do superior provincial dos Salesianos, padre Tarcízio Morais, além de autoridades política.

No final da Missa, o arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, agradeceu a todos os envolvidos nestas cerimónias e apelou à comunicação de curas atribuídas à intercessão da Beata Alexandrina, para que o processo de canonização possa prosseguir no Vaticano.

“Quem chega a Balasar deve encontrar uma porta aberta e alguém com tempo para o escutar: a Eucaristia está no centro deste santuário para estar também no centro da nossa vida. Um santuário cumpre a sua missão quando quem o visita regressa à vida mais disponível para cuidar dos outros, para cuidar da relação com Deus, consigo próprio, com o mundo, com a história, com a casa comum que habitamos”, declarou.

A Eucaristia, transmitida online, decorreu um dia depois da trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina.

OC

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