Aveiro: Bispo lembra amor à diocese que monsenhor João Gonçalves Gaspar revelou nas várias missões a que foi chamado

D. António Moiteiro presidiu ao funeral do antigo vigário geral da diocese, que morreu aos 96 anos

Foto: Diocese de Aveiro

Aveiro, 05 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Aveiro presidiu este sábado, na catedral da cidade, ao funeral do monsenhor João Gonçalves Gaspar, recordando a grande estima que o sacerdote tinha pela sua terra, que se refletia nos vários serviços que foi desempenhando.

“Da vida do Monsenhor, desejo realçar três aspetos que estiveram muito presentes na sua existência: o amor à sua terra – Eixo – e às suas gentes; a sua implicação na vida cultural da sociedade aveirense, e o seu amor à diocese de Aveiro nas várias missões a que foi chamado”, afirmou D. António Moiteiro, na homilia da Eucaristia.

O monsenhor João Gonçalves Gaspar, vigário-geral da Diocese de Aveiro entre 1988 e 2017, faleceu aos 96 anos de idade, na quinta-feira, no Hospital da cidade.

A Eucaristia foi celebrada em honra da Virgem Maria, Mãe Santa Esperança, como pedido pelo sacerdote, que deixou uma carta de consciência ao cuidado do bispo diocesano.

“A salvação é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite se levar a uma meta, e se pudermos estar seguros desta meta, se esta for tão grande que justifique a canseira do caminho”, referiu D. António Moiteiro.

Na homilia, o responsável católico salientou o serviço do sacerdote na Diocese de Aveiro, que foi secretário de vários bispos diocesanos, residindo sempre na Casa Episcopal.

Entre as várias funções exercidas pelo monsenhor estão: capelão do Lar de Santa Joana, assistente da JEC do Liceu de Aveiro, administrador do semanário diocesano “Correio do Vouga”, presidente da Comissão diocesana de Arte Sacra e do Património Cultural, assessor Cultural da Câmara Municipal de Aveiro, membro da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia de Aveiro e membro do Conselho da Universidade de Aveiro.

O bispo recordou ainda que o sacerdote foi académico correspondente da Academia Portuguesa da História, tendo publicado inúmeras obras, destacando-se as que se referem ao Património de Aveiro e à vida de Santa Joana Princesa.

Além disso, acrescentou, “foi vigário-geral da diocese” de 1988 a 2017 e “administrador diocesano entre 7 de abril e 13 de setembro de 2014”.

“Escritor que foi da nossa terra e das suas gentes, autor de tantos e variados livros, no último sábado terminou, a pedido do diácono José Carlos, umas memórias sobre a sua vida e que, juntamente com outros testemunhos de pessoas amigas, serão publicadas proximamente”, adiantou o bispo.

No final da homilia, o bispo apresentou uma mensagem que monsenhor João Gaspar deixou para ser lida nas suas exéquias.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Mensagem do monsenhor João Gonçalves Gaspar:

MORREREI … MAS VIVEREI SEMPRE!…

Num qualquer dia de sol radioso ou de luz pardacenta, irá divulgar-se a notícia de que eu finalmente morri.

Agora, no momento em que escrevo esta anotação, não sei a data da ocorrência, mas tal notícia será certa.

Poucos minutos ou poucas horas antes, quase sem aviso, terminara a curta alínea da minha vida neste mundo.

Porém, eu tenho a firme certeza de que, guiado pela fé, jamais perdi nem quero perder o sentido do norte, ao longe da presente caminhada entre espinhos.

Sempre acreditei que, no termo destes breves anos, Deus vai levar-me, nos braços da sua misericórdia, para a alínea do seu Além feliz, que jamais terá fim.

Enriquecido com inauditos e singulares dons celestes, ver-me-ei imediatamente envolvido pela festa eterna.

Durante a efêmera e transitória existência terrena, Deus concedeu-me e concede-me a graça de viver algo da preciosa mensagem evangélica de Cristo, aí descobrindo sempre a sabedoria para o meu rumo, plena de ciência, de encanto, de riqueza e de poesia.

Testemunhando a fé que principiou a germinar no Batismo e grato pela alegria de ter sido dotado pelo Sacerdócio, jamais me acomodei apenas e só com o mero existir, mas tentei e tento dar esperança e serenar consciências.

Nunca me faltou nem falta a mão misericordiosa de Deus, nem o auxílio materno da Mãe de Jesus e minha Mãe, nem o exemplo de caridade da Princesa Santa Joana, nem os incentivos de tantos irmãos e de tantas irmãs.

Fixando os meus olhos na abundância insondável do Céu, ambiciono partir sem o peso de qualquer bagagem material.

Peço que ninguém chore por mim, nem use sinais de luto, mas que me recorde com alegria, como estando presente, porque a morte não é pena, mas glorificação na saudade.

Prosseguirei a falar de paz, de justiça, de bondade e de amor.

Não me despeço de ninguém, pois desejo continuar presente.

Serei sempre vosso amigo sincero e leal. – Contai comigo.

Janeiro de 2014

LJ/OC

Aveiro: Faleceu monsenhor João Gonçalves Gaspar, aos 96 anos de idade

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