D. António Moiteiro publicou uma carta pastoral sobre «O sentido cristão do sofrimento humano»

Aveiro, 13 mar 2019 (Ecclesia) – O bispo de Aveiro disse que a Igreja sente o dever de estar próxima de todos os que sofrem e “não pode ficar indiferente nem ausente” da vida destas pessoas, apelando à solidariedade das comunidades católicas.

“Diante do sofrimento de tanta gente exaurida pela miséria, pela violência e pelas injustiças, não podemos permanecer indiferentes. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe a compaixão”, escreveu D. António Moiteiro, na carta pastoral ‘o sentido cristão do sofrimento humano’, enviada à Agência ECCLESIA.

O responsável afirma que em tempos difíceis, “de fortes contradições e grandes esperanças”, “urge” apreender um novo impulso de humanidade, para não permitir que “a mentira, a hipocrisia, a corrupção, a avidez do poder, a barbárie e a indiferença prevaleçam” neste mundo, que deveria ser de proximidade e de harmonia.

D. António Moiteiro realça que “cuidar dos enfermos”, visitando-os e apoiando-os nos problemas concretos “é uma das missões nobres da ação pastoral das comunidades” e salienta que um dos problemas que se “deve interpelar” as comunidades é o das pessoas que “pela idade ou doença vivem sozinhas em casa”.

“Perante o sofrimento, a Igreja responde em conformidade com o Evangelho. Sentimo-nos envolvidos como destinatários e como participantes”, lê-se no quarto e último capítulo intitulado “a Igreja responde ao sofrimento com a alegria do Evangelho”

A nova carta pastoral começa por explicar que na condição de criatura, “que traz em si algo do Criador”, o homem busca ser feliz, mas “a felicidade, por vezes, escapa-lhe” e essa “contradição” de “criado para a felicidade e condenado ao sofrimento” suscita questões e respostas inquietantes.

Neste contexto, explica que as pessoas são confrontadas com questões que “atingem em todas as dimensões da vida humana” e a dor e o sofrimento fazem parte, como: “Porquê o sofrimento? Que sentido têm o sofrimento e a dor que acompanham a vida do ser humano? Qual a posição de Deus face ao sofrimento humano?”.

No documento, observa-se que quando não se consegue ver sentido para o sofrimento, “questiona-se Deus, e muitas vezes desanima-se e abandona-se a fé”.

“Se Deus fosse compreendido como um justiceiro maléfico que castiga as suas criaturas, seria mais fácil entender o sofrimento. Seria consequência do castigo e da ira de Deus. Não pode, efetivamente, ser um castigo de Deus, porque Deus é amor”, desenvolve, assinalando que o homem não coloca as suas questões ao mundo, de onde provém “muitas vezes o sofrimento”.

D. António Moiteiro salienta que se a dor física “custa a suportar”, o sofrimento espiritual não é “menos atroz” e “há lamentações que ninguém ouve” como as de “pais que perdem um filho, pessoas surpreendidas por uma doença incurável, idosos na solidão, jovens que não conseguem emprego, famílias que foram obrigadas a deixar as suas casas, pessoas que sobrevivem apenas com o salário mínimo”.

O bispo de Aveiro reflete nos outros três capítulos sobre “o sofrimento na sagrada escritura; a novidade de Jesus no contexto da dor e sofrimento” e em ‘os cristãos perante o sofrimento’ explica que há “um desafio à comunhão e à solidariedade”.

«Não te deixes vencer pelo mal (sofrimento), mas vence o mal com o bem (Jesus ressuscitado)», da carta aos Romanos (12, 21), é a citação bíblica que dá mote à carta pastoral ‘o sentido Cristão do sofrimento humano’, uma “meditação” que D. António Moiteiro dedica “à memória do pai e a todos os que sofrem”.

CB/OC

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