Padre Adelino Ascenso, missionário no Japão entre 1998 e 2015, diz que a presença de Francisco no país é um estímulo para os japoneses

Lisboa, 19 nov 2019 (Ecclesia) – O padre Adelino Ascenso, que foi missionário no Japão, disse que a presença do Papa no país é um “estímulo” para todos os japoneses e considera que a Ásia tem de ser “um dos centros principais” da renovação da Igreja Católica.

“Um dos centros principais da Igreja, que necessita de ser renovada permanentemente, tem de ser o continente asiático”, afirmou o superior-geral da Sociedade Missionária da Boa Nova em declarações à Agência ECCLESIA.

Para o padre Adelino Ascenso, a Igreja tem de aprender com o continente asiático e “escancarar as janelas do coração para que entrem as rajadas do vento de Espírito”.

“Só assim é que haverá uma verdadeira renovação. O continente asiático é essencial para essa verdadeira renovação”, afirmou.

O padre Adelino Ascenso, que partiu para o Japão como missionário em 1998 e até 2015 quando foi eleito superior-geral da sociedade missionária da Boa Nova, sublinha a importância da presença do Papa no continente asiático como oportunidade de diálogo inter-religioso e intercultural.

“O futuro da Igreja passa muito pelo diálogo inter-religioso e intercultural”, referiu o missionário, acrescentando que esse diálogo “vive-se mais profundamente na Ásia”.

“Se formos para uma cultura completamente diferente, em contacto com outra religião, completamente diferente, saindo do nosso conforto, saindo de nós próprios, isso é bastante mais doloroso, mas é bastante mais frutífero”, afirmou.

O padre Adelino Ascenso considera que o diálogo inter-religioso e intercultural transforma cada pessoa e “deve transformar a própria instituição que é a Igreja Católica”.

Para o superior-geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, a presença de Francisco na Tailândia e no Japão, durante a 32ª viagem internacional que realiza entre os dias 19 e 26 de novembro, leva o Papa ao “centro” do diálogo inter-religioso e intercultural.

A respeito do Japão, onde foi missionário, o padre Adelino Ascenso considera que a presença do Papa “é muito importante como estímulo para os católicos, para os cristãos e para os japoneses em geral”.

O Japão é um país com 128 milhões de habitantes, dos quais 1% são cristãos e 0,34% são católicos, cerca de 440 mil.

Para o padre Adelino Ascenso, a condenação das armas atómicas “é o ponto principal”, sobretudo porque o bombardeamento permanece “muito presente” nos japoneses.

Por ocasião do dia 6 de agosto de cada ano, o “dia fatídico” da bomba atómica sobre Hiroxima, em 1945, e 3 dias mais tarde em Nagasaki, realiza-se uma celebração inter-religiosa; a Conferência Episcopal Japonesa reafirma a cada passo a necessidade de se manter “a não proliferação das armas atómicas”.

Por causa das bombas atómicas e do triplo desastre natural de Fukushima, no dia 11 de março de 2011, o padre Adelino Ascenso lembra que o povo japonês é um povo “martirizado” e valoriza a receção que o Papa vai fazer, em Tóquio, às famílias das vítimas.

“As vítimas da tragédia que o Papa vai receber são pessoas do povo. E isso é fundamental e é um grande sinal para o povo japonês, que é muito sensível a este tipo de gestos”, referiu.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, emitida no programa Ecclesia desta segunda-feira, na RTP2, o padre Adelino Ascenso disse também que o Papa Francisco é “peregrino”, como os asiáticos: não só “por devorar quilómetros”, antes por fazer uma “peregrinação interior”.

O Papa Francisco inicia esta terça-feira a 32ª viagem internacional para visitar a Tailândia, entre os dias 20 e 23, e o Japão, entre 23 e 26 de novembro de 2019.

PR

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