«A paz é possível, a paz é o único caminho» – D. Isao Kikuchi

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 29 mar 2021 (Ecclesia) – O arcebispo de Tóquio afirmou que “a paz é o único caminho” numa carta enviada à Conferência Episcopal de Myanmar, e ao cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Rangum, onde manifestou proximidade na oração da arquidiocese nipónica.

“Neste tempo de Quaresma, enquanto renovamos nossa dedicação a Cristo e nos esforçamos para viver uma nova vida em nossa comunidade, rezamos para que o sacrifício e as orações do povo de Myanmar tragam paz e renovação ao país”, escreveu D. Isao Kikuchi, divulga o portal ‘Vatican News’.

Um golpe militar derrubou o Governo de Aung San Suu Kyi na antiga Birmânia, a 1 de fevereiro, acusando a comissão eleitoral do país de não ter posto cobro às “enormes irregularidades” que dizem ter existido nas legislativas de novembro; As forças de segurança têm intensificado o uso de força para dispersar os manifestantes.

Este sábado, 27 de março, a ONU revelou estar “chocada” com as dezenas de mortes, incluindo crianças, na repressão aos manifestantes pró-democracia que protestaram em várias cidades de Myanmar.

O arcebispo de Tóquio expressa “profunda preocupação” pela atual situação que se vive em Myanmar e pelo “impacto que está tendo sobre as pessoas” e manifestou solidariedade com a Igreja em Myanmar, “comprometida em servir os mais fracos e promover a paz para todos”.

“Unidos ao Santo Padre, rezamos para que aqueles que têm autoridade trabalhem com a vontade sincera de servir o bem comum e os direitos humanos e civis fundamentais, de promover a justiça e a estabilidade nacional por uma convivência harmoniosa, democrática e pacífica”, desenvolveu D. Isao Kikuchi, citando o observador permanente da Santa Sé junto à ONU em Genebra, D. Ivan Jurkovic.

O arcebispo de Tóquio recordou que conheceu a realidade da Igreja em Myanmar, na visita que realizou em fevereiro de 2020, quando foi tocado pela profunda fé dos católicos birmaneses.

“Que suas esperanças e aspirações não sejam destruídas. A paz é possível, a paz é o único caminho”, acrescentou, assegurando a oração da comunidade católica de Tóquio.

Para além de D. Isao Kikuchi, a Igreja Católica em Myanmar tem recebido várias cartas que manifestam proximidade e preocupação com a situação atual, como de 12 cardeais da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), que asseguraram apoio ao compromisso por uma solução pacífica e contra a violência militar contra civis.

“A violência nunca é uma solução; a força nunca é uma solução. Provoca apenas mais dor e sofrimento, mais violência e destruição”, escreveram, realçando que a Ásia “é um continente de paz e esperança”, informa o sítio online ‘Vatican News’.

Numa carta, o Papa Francisco também manifestou “preocupação e amor” por Myanmar e encorajou a Igreja Católica a “empenhar-se no processo de paz”, para além de vários apelos pelo fim da violência, o último no dia 17 de março.

CB

 

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