Argentina: Papa inicia programa de quatro dias em «homenagem» a Francisco

Leão XIV torna-se segundo pontífice a visitar país da América Latina, quase 40 anos depois da viagem de São João Paulo II

Foto: AICA.org

Lisboa, 08 nov 2026 (Ecclesia) – O Papa chega hoje a Buenos Aires para uma visita de quatro dias à Argentina, segunda etapa da viagem à América Latina, regressando a um país que não recebia um pontífice desde 1987.

“É uma homenagem ao Papa Francisco, no sentido em que visito o seu país, onde ele não pôde ir”, declarou Leão XIV aos jornalistas durante o voo entre Roma e Montevideu, esta sexta-feira, a propósito da passagem pela terra natal do seu antecessor.

A deslocação que decorre até quarta-feira sob o lema ‘Bem-vindos todos, ide e anunciai’ assinala a terceira presença de um Papa em território argentino, João Paulo II esteve por duas vezes, em junho de 1982 e em abril de 1987.

O avião proveniente do Uruguai aterra às 16h30 locais (19h30 em Lisboa) no Aeroparque Jorge Newbery, na capital da Argentina.

Após uma paragem às 17h00 locais no Monumento ao General San Martín e aos Exércitos da Independência, Leão XIV segue para a Casa Rosada, onde participa na cerimónia de boas-vindas às 17h20 e se reúne com o presidente da República, Javier Milei, antes de proferir o primeiro discurso às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático no Centro Cultural Domingo Faustino Sarmiento, conhecido como Palácio Liberdade.

Na segunda-feira, a agenda começa às 09h30 locais com a visita aos utentes e trabalhadores da obra social ‘Pequeño Cottolengo Don Orione’ de Claypole, no município de Almirante Brown, seguindo-se às 11h30 a Missa no Monumento dos Espanhóis, no bairro de Palermo, que inclui a saudação do arcebispo de Buenos Aires, D. Jorge Ignacio García Cuerva.

Durante a tarde de segunda-feira, o pontífice participa num encontro com o mundo do trabalho na Universidade Católica Argentina, em Puerto Madero, reúne-se com líderes de comunidades cristãs e de outras tradições religiosas no Palácio San Martín e preside às Vésperas na Catedral Metropolitana da Santíssima Trindade com o episcopado e as equipas sinodais, antes de jantar com os bispos no paço arquiepiscopal.

Na terça-feira, memória litúrgica de São Leão Magno, o Papa viaja de avião até Córdova para presidir às 10h00 locais à Eucaristia na esplanada da Escola de Aviação Militar — com preces inspiradas nos santos argentinos Cura Brochero, Héctor Valdivielso, Mama Antula e Artémides Zatti e saudação do cardeal Ángel Sixto Rossi — e reunir-se às 15h15 com o clero, consagrados, seminaristas e agentes pastorais na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, regressando a Buenos Aires para a vigília com os jovens às 20h15.

O último dia da etapa argentina, na quarta-feira, integra às 08h00 locais a visita à prisão de Devoto, em Buenos Aires, e às 10h00 a Missa na praça da Basílica de Nossa Senhora de Luján, padroeira do país, onde Leão XIV será saudado pelo arcebispo de Mercedes-Luján, D. Jorge Eduardo Scheinig, e oferecerá a Rosa de Ouro antes de partir às 14h00 do aeroporto internacional de Ezeiza rumo a Lima, no Peru.

Segundo os dados referentes a 2024 do Gabinete Central de Estatística da Igreja, a Argentina conta com 43,17 milhões de católicos batizados, que representam 91,7% dos mais de 47 milhões de habitantes distribuídos por 73 circunscrições eclesiásticas e 2971 paróquias.

O levantamento estatístico divulgado pelo Vaticano regista ainda no país sul-americano 146 bispos, 5137 sacerdotes, 1268 diáconos permanentes, 5921 religiosas professas e 871 seminaristas maiores, a par de mais de 1,55 milhões de alunos em estabelecimentos de ensino católicos e 3345 instituições de assistência e beneficência.

OC

 

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