«A história dos povos não se compreende plenamente quando se prescinde de Deus», sublinhou Leão XIV, no Santuário Nacional da Virgem dos Trinta e Três, ligado à independência do país

Florida, Uruguai, 08 nov 2026 (Ecclesia) – O Papa desafiou hoje os católicos em Florida, na última Missa da visita ao Uruguai, a irem ao encontro de quem abandonou a prática religiosa, agradecendo às famílias a transmissão da fé.
“Não podemos ficar sempre à espera que quem se afastou volte pelo próprio pé”, declarou Leão XIV na homilia da celebração realizada na praça da Catedral-Basílica de Florida, Santuário Nacional de Nossa Senhora dos Trinta e Três.
Perante os peregrinos reunidos a cerca de 100 quilómetros de Montevideu, o pontífice exortou a comunidade católica a “voltar a entrar nas casas, aproximar-se das pessoas, ouvir as suas perguntas e conduzi-las a Cristo”, quer se trate de um familiar, de um vizinho ou de alguém que deixou de acreditar há muito tempo.
Leão XIV dirigiu um agradecimento especial às mães, avós, madrinhas, religiosas e catequistas que mantiveram aberto “um caminho para Deus” no espaço doméstico, compreendendo o sofrimento daquelas que hoje veem os filhos e netos afastados da oração e da igreja.
“A todas essas mulheres, gostaria hoje de dizer obrigado”, prosseguiu,
Evocando a perseverança de Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, bem como as figuras bíblicas de Loide e Eunice, o Papa encorajou as mulheres a não darem por perdido o que semearam e a insistirem com paciência e sem aspereza, lembrando que há portas que só Deus pode abrir.
“Um filho aprende muito ao ver que o seu pai é capaz de se ajoelhar diante de Deus sem se sentir menos homem por causa disso”, afirmou ainda o pontífice, ao apelar aos homens para que sigam o exemplo de São José.
Queridos pais e avós, os jovens precisam de vos ver a rezar, a procurar os Sacramentos, a tratar as vossas esposas com respeito, a pedir perdão e a viver com honra, mesmo quando isso requer sacrifícios”.
Na solenidade da padroeira nacional, o Papa recordou que a pequena imagem de Nossa Senhora dos Trinta e Três está associada a “uma hora decisiva da história do Uruguai”, quando em 1825 os combatentes pela independência colocaram o início da pátria sob a proteção mariana.

“Esse gesto lembra-nos que a história dos povos não se compreende plenamente quando se prescinde de Deus”, sublinhou Leão XIV, notando que, embora a relação de muitos cidadãos com a religião se tenha alterado ao longo das gerações, a presença materna de Maria permaneceu na identidade do país.
A Catedral-Basílica de Florida guarda uma pequena imagem em madeira de cedro talhada no século XVIII nas missões jesuítas do Paraguai, diante da qual os ‘Trinta e Três Orientais’ rezaram antes da proclamação da independência do Uruguai naquela cidade, a 25 de agosto de 1825.
A partir de um dos momentos fundadores da pátria, o Uruguai ficou intimamente ligado a uma Mãe. Desde então, passaram várias gerações, as circunstâncias mudaram e até a relação de muitos uruguaios com a fé se alterou. Ela permaneceu aqui.”
A homilia destacou também o testemunho histórico de fé deixado em território uruguaio por várias mulheres, como Santa Maria Francisca Rubatto, dedicada ao serviço dos mais carenciados, e pelas beatas mártires Dolores e Consuelo Aguiar-Mella, duas irmãs naturais de Montevidéu.
Antes da Missa, o Papa fez uma paragem na igreja de Santa Teresinha do Menino Jesus, em Juanicó (Canelones), onde cumprimentou os presentes.
“A minha família, o meu pai, tinha uma grande devoção por Santa Teresinha. É um momento de emoção, de gratidão pela graça de Deus. Que Deus nos proteja em todos os momentos, tanto nos momentos felizes como quando estamos a sofrer”, disse.

“Vivamos a fé com alegria e não tenhamos medo de dizer: sou cristão, sou católico, acredito em Jesus Cristo”, acrescentou, falando de improviso.
A etapa em Florida, local igualmente visitado por São João Paulo II em 1988, encerra a agenda pública no Uruguai antes da despedida oficial no aeroporto de Montevideu, de onde Leão XIV parte rumo a Buenos Aires para iniciar a visita à Argentina, segunda escala de um périplo que prossegue no Peru até 17 de novembro.
OC
| No final da celebração, que incluiu a saudação do bispo de Florida, D. Alfonso María Bauer, e a recitação do ângelus, o Papa entregou a Rosa de Ouro ao santuário e renovou a consagração do país a Nossa Senhora, pedindo proteção para os governantes, as famílias, os pobres e os doentes.
“A Maria, Comandante e Guia deste povo, quero consagrar novamente esta nação, confiar à sua proteção esta terra e todos os que nela vivem, e suplicar a Deus que, pela sua poderosa intercessão, destrua as obras do demónio e preserve o amado Uruguai de tudo o que quer afastá-lo de Cristo”, referiu Leão XIV. |
