Responsáveis portugueses destacam percurso feito nas comunidades e em cada crente

Lisboa, 22 nov 2013 (Ecclesia) – O Ano da Fé que se conclui este domingo vai para além das iniciativas públicas organizadas desde outubro de 2012 por iniciativa de Bento XVI, Papa emérito, e Francisco, referem vários responsáveis católicos portugueses à Agência ECCLESIA.

“Temos a esperança de que, com tantas iniciativas, tenha ficado uma maior consciência de que ser cristão e cristão católico tem a ver com um Credo que nós enunciamos e professamos tão frequentemente”, disse D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

O responsável admite que a iniciativa convocada pelo Papa emérito Bento XVI, nos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, se torna quase “impossível” de avaliar, dado tratar-se de um campo de “convicções tão íntimas”, mas destaca o “muito que se fez”.

Na reta final do Ano da Fé, frei Isidro Lamelas, especialista em Patrologia e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), publicou a obra ‘Sim, cremos: O Credo comentado pelos Padres da Igreja’.

“Estas fórmulas de fé apontam, desde a sua génese, para três grandes objetivos: definir o conteúdo da fé dos crentes, eliminando possíveis interpretações subjetivas ou parciais; propor um núcleo referencial de objetividade, oferecendo um comum ponto de apoio e de identidade cristã; finalmente, facilitar a transmissão catequética e retenção dos dados fundamentais da fé batismal”, explica o docente, em texto publicado na última edição do Semanário ECCLESIA.

[[v,d,4278,]]D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, sustenta que a situação atual representa o “tempo oportuno para ousar crer”.

“No nosso tempo em que a palavra «crise» parece ser a chave hermenêutica de mudanças sociais e culturais, tenhamos a ousadia da alegria do Evangelho para ver Jesus, ou seja ver o invisível”, apela o prelado, na mesma edição.

Numa entrevista sobre as conferências que proferiu ao longo dos últimos meses, Juan Ambrósio, docente da UCP, destaca a transformação que foi percebendo no contacto com as várias comunidades.

“É óbvio que a fé tem a ver com conteúdos, mas quando refletimos sobre a experiência de ter fé, percebemos que implica mais do que do que acreditar em conteúdos”, explica.

Já o padre Domingos Terra, jesuíta, analisa a encíclica ‘Lumen Fidei’, com a qual o Papa Francisco encerrou a trilogia iniciada por Bento XVI sobre as virtudes teologias (fé, esperança e caridade).

“Na verdade, falar da luz da fé é chamar a atenção para um modo de entender as coisas de Deus, da vida e do mundo que surge por dentro da vivência dessa mesma fé”, escreve o sacerdote.

[[a,d,4303,Emissão 18-11-2013]]O padre Marcelino Paulo Ferreira aborda o projeto ‘Laboratório da fé’, do arciprestado de Braga, que nasceu no contexto do Ano da Fé e “que agora assume a dinâmica da fé celebrada” (temática do novo ano pastoral na diocese).

Isabel Varanda, coordenadora geral da sessão do ‘Átrio dos Gentios’ que decorreu em Guimarães e Braga, nos dias 16 e 17 de novembro de 2012, destaca a importância da iniciativa promovida pelo Conselho Pontifício da Cultura para promover o encontro entre crentes e não crentes.

“O Átrio dos Gentios continua a pretender verificar, de modo performativo, as condições de possibilidade do encontro de pessoas, do encontro de diferentes saberes, creres e crenças, métodos e procuras e de diferentes visões do mundo e da vida”, refere a docente da UCP.

O final do Ano da Fé vai estar em destaque este domingo nos programas ECCLESIA (Antena 1, 06h00) e ‘70×7’ (RTP2, 11h22).

OC

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