Testemunhar Cristo com alegria

A Solenidade da Ascensão de Jesus, que hoje celebramos, sugere que a vida definitiva de comunhão com Deus se encontra no final de um caminho percorrido no amor e na doação. Seguidores de Jesus, a quem aderimos com todo o nosso ser, somos chamados a ser testemunhas do seu projeto libertador.

Nas palavras de despedida de Jesus no Evangelho de hoje, está bem definida esta missão dos discípulos no mundo, a ser assumida com alegria, marca de identidade cristã, como dizia Bento XVI. No mesmo sentido vai o Papa Francisco, ao apontar a alegria do Evangelho como essência das nossas vidas.

A tristeza torna o rosto sombrio e as lágrimas estorvam a vista. Os discípulos conheceram a tristeza e a deceção, não conseguindo reconhecer o Ressuscitado que caminhava ao seu lado. São necessários os olhos da fé para perceber que Cristo está vivo, para nos alegrarmos n’Ele, para O anunciarmos. Uma fé assim vivida não nos mergulha no passado saudosista, antes nos orienta para um futuro que já não será mais como antes.

Qual é o segredo dos discípulos para estarem alegres depois da partida do Mestre? A presença do Ressuscitado, muito simplesmente, mas presença “de outro modo”. Doravante, Ele está sempre com eles na força do Espírito Santo. Eles vivem na alegria porque sabem que Ele está com eles até ao fim dos tempos e que sem Ele nada podem fazer. Ele prometeu e manteve as suas promessas!

“Enquanto Jesus os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu”. Este céu só pode ser percebido com o olhar da fé, com a confiança que podemos ter em Cristo e nas testemunhas que O viram separar-Se deles. Não há qualquer prova nem demonstração científica para esta subida de Jesus ao céu.

Somos convidados a situar-nos noutro registo, o registo do amor. Aliás, essa é a nossa experiência: quando amamos, quando conhecemos momentos de intensa felicidade, gostaríamos que o tempo parasse, não para que tudo acabe mas para que seja eternizada esta felicidade que atinge todo o nosso ser.

Jesus veio habitar este desejo de eternidade em nós, para o elevar à sua plena realização. Ressuscitando, fez entrar todos os nossos desejos no mundo do amor infinito, no seu coração pleno de misericórdia. E é em cada Eucaristia que acolhemos em nós a presença de Jesus ressuscitado que vem alimentar e fazer crescer o germe da vida eterna.

A alegria do Ressuscitado deve brilhar nos olhos e transformar os corações dos discípulos que testemunham a entrada definitiva de Jesus na vida de Deus. Que a nossa vida quotidiana tenha sempre esse sabor eucarístico de Cristo ressuscitado e seja um pedaço de céu pleno de felicidade e de alegria.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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