Na mensagem cristã, o essencial é Cristo

Na liturgia deste sexto domingo do tempo pascal sobressai a promessa de Jesus de acompanhar de forma permanente a caminhada da sua comunidade em marcha pela história: não estamos sozinhos; Jesus ressuscitado vai sempre ao nosso lado.

Nessa centralidade em Cristo, sabe bem acolher a Palavra de Deus na primeira leitura. O ambiente é do primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém, com a presença de Pedro e Paulo.

O texto dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos a Igreja de Jesus a confrontar-se com os desafios dos novos tempos. A questão de então – cumprir ou não os ritos da Lei de Moisés – é uma questão ultrapassada, que hoje não nos preocupa.

Porém, o episódio desta assembleia conciliar, animada pelo Espírito, que vai discutir e distinguir o que é essencial na proposta cristã e que deve ser incluído no núcleo fundamental da fé cristã e da pregação, do que é acessório e que pode ser dispensado, vale sobretudo pelo seu valor exemplar.

Faz-nos pensar, por exemplo, em rituais ultrapassados, em práticas de piedade vazias e estéreis, em fórmulas obsoletas, que hoje já não exprimem o essencial da proposta cristã. Faz-nos pensar na imposição de esquemas culturais, sobretudo ocidentais, que muitas vezes não têm nada a ver com a forma de expressão de certas culturas.

O essencial do cristianismo não pode ser vivido sem ser concretizado em formas determinadas e humanas, condicionadas e finitas. O essencial deve ser preservado e o acessório deve ser constantemente atualizado.

Seria bom verificarmos quais são os ritos e as práticas decididamente obsoletos, que nos impedem hoje de redescobrir e propor o núcleo central da mensagem cristã. Podemos estar a impedir, como outrora, o nascimento de Cristo para o mundo, mantendo-nos presos a esquemas e modos de pensar e de viver que têm pouco a ver com a realidade do mundo que nos rodeia.

É necessário ter presente que o essencial é Cristo e a sua proposta de salvação. Essa é que é a proposta sempre nova que temos para apresentar ao mundo. O resto são questões cuja importância não nos deve distrair do essencial.

Devemos também ter consciência da presença do Espírito Santo na caminhada da Igreja de Jesus. Para isso, é preciso escutar o Espírito, estar atento às suas interpelações, saber ler as suas indicações nos sinais dos tempos e nas questões que o mundo nos apresenta.

É preciso aprender com a forma como os Apóstolos responderam aos desafios dos tempos: com audácia, com imaginação, com liberdade, com desprendimento e, acima de tudo, na escuta do Espírito de Jesus Cristo. É assim que a Igreja de Jesus deve enfrentar hoje os desafios do mundo. Sempre na escuta da Palavra e no acolhimento do amor de Deus, como nos diz o Evangelho de hoje.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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