Confissão de fé, vida de amor no quotidiano!

A comunidade cristã, vivificada e orientada por Jesus ressuscitado, tem por missão crer, testemunhar e concretizar o seu projeto libertador. Aí está a mensagem principal do Evangelho deste terceiro domingo do tempo pascal.

Em linguagem simbólica, o evangelista João apresenta uma parábola sobre a missão da comunidade. Os discípulos são sete, representando a totalidade da Igreja, empenhada na missão e aberta a todos os povos e nações.

A comunidade é apresentada a pescar, sinal de que procura libertar todas as pessoas que vivem mergulhadas no mar do sofrimento e da escravidão, sob a iniciativa de Pedro que preside à missão e à animação da Igreja primitiva.

A pesca é feita durante a noite, tempo das trevas e da escuridão, na ausência de Jesus, o que leva a ação dos discípulos ao fracasso. A chegada da manhã, plena de luz, coincide com a presença de Jesus, luz do mundo.

Jesus não está no barco, está em terra. Significa que não acompanha os discípulos na pesca, mas exerce a sua ação no mundo por meio dos discípulos. A presença viva do Senhor ressuscitado é a razão de ser do êxito da pesca abundante, da missão da comunidade.

João, o discípulo amado sempre próximo e em sintonia com Jesus, experimenta de forma intensa o amor de Jesus. Só quem faz essa experiência é capaz de ler os sinais que identificam Jesus e perceber a sua fecunda presença de amor.

Os pães com que Jesus acolhe os discípulos em terra são sinal do amor, do serviço, da solicitude de Jesus pela sua comunidade: uma alusão à Eucaristia, ao pão que Jesus oferece, à vida com que Ele continua a alimentar a comunidade em missão.

Depois, contrariando as negações anteriores e manifestando a sua adesão de vida, Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus. É convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor e a entrega de vida. Não existe verdadeira adesão a Jesus, se não estivermos dispostos a seguir esse caminho.

Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir e animar a comunidade. Mas convida-o também a perceber onde é que reside, na comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.

À maneira de Pedro, a nossa fé só pode ser uma confissão de amor a Jesus vivo e ressuscitado em nós. Que o andamento deste Ano Missionário intensifique em nós e nas nossas comunidades a vivência renovada desta confissão de fé como discípulos missionários de Jesus Cristo, confissão que só pode ser verdadeiramente uma história de amor, celebrada e vivida no quotidiano das nossas existências.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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