Ano C – 2.º Domingo da Quaresma

Como é bom estar aqui! Só pode ser em Deus!


O Evangelho do segundo domingo da Quaresma transporta-nos ao monte da Transfiguração, onde a voz vinda da nuvem pede-nos para escutar Jesus: «Este é o meu Filho, o meu Eleito; escutai-O».

Prestar atenção ao que o outro diz nem sempre é fácil. É necessário estar interiormente disponível, fazer um tempo de paragem interior e de silêncio para poder dar ao outro espaço para que se possa exprimir. Sempre sem quaisquer preconceitos ou filtros! Sabemos como esta atitude é essencial no processo sinodal que estamos a viver em cada diocese.

Todo o diálogo verdadeiro implica essa escuta, exige uma lenta e paciente aprendizagem do silêncio exterior, mas sobretudo, o que é ainda mais exigente, do silêncio interior.

Hoje, trata-se de escutar o Filho que Deus escolheu. Jesus nada diz aos três discípulos. Entretém-se com Moisés e Elias, que simbolizam a Lei e os Profetas, toda a Escritura, toda a Palavra que Deus dirigiu ao seu Povo. Eles manifestam que toda a Revelação tem pleno cumprimento em Jesus.

É preciso, pois, escutar o Filho de Deus, porque n’Ele encontramos tudo o que nos quer dizer hoje. Não precisamos de procurar novas luzes em visões obscuras ou em revelações mal discernidas. Tudo nos é dado em Jesus, basta-nos Jesus.

É essencial colocarmo-nos na escuta da Palavra que é Jesus, se queremos ser verdadeiramente seus discípulos. Uma das grandes graças do Concílio Vaticano II foi ter dado todo o relevo à Palavra de Deus, na liturgia e na vida dos cristãos, uma Palavra a receber pessoalmente e a escutar em família, em comunidade, em Igreja.

Estamos em Quaresma, tempo favorável para nos colocarmos cada vez mais nessa escuta da Palavra. Oxalá possamos aproveitar para aprofundar o nosso silêncio interior, tornando-nos mais atentos ao que Jesus nos quer dizer, a cada uma e a cada um de nós, e à nossa comunidade.

Em ambiente de profundo encontro orante com Deus, Pedro, João e Tiago, testemunhas da transfiguração no monte Tabor, dizem o que sentem: como é bom estarmos aqui! E parece que não têm muita vontade de descer à terra e enfrentar o mundo e os problemas dos homens.

Mas a experiência do Tabor transfigura-os, obrigando-os a continuar a obra que Jesus começou e a regressar ao mundo para fazer da vida um dom e uma entrega aos irmãos.

Como é bom estarmos aqui! Deve ser esse o mesmo sentir nos andamentos da nossa vida de cristãos.

Como é bom estarmos em Deus, infinitamente misericordioso, ao mesmo tempo que estamos com os próximos que exigem o nosso testemunho de fé e caridade, de proximidade e misericórdia, de ternura e amor.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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