A seara é grande. Ide, envio-vos!

A temática do envio domina os textos bíblicos da liturgia deste 14.º domingo do tempo comum. Na figura dos 72 discípulos do Evangelho, na figura do profeta anónimo, que fala do Deus que os ama aos habitantes de Jerusalém, ou na figura do apóstolo Paulo, que anuncia a glória da cruz, somos convidados a tomar consciência de que Deus nos envia a testemunhar o seu Reino.

No Evangelho, Jesus dirige-se primeiramente a 72 discípulos que designou para além dos Doze Apóstolos. Os nomes têm geralmente sentido simbólico. A tradução grega do capítulo 10 do Génesis apresenta uma lista de todas as nações que povoam a terra: são precisamente 72.

Em ligação com esse dado podemos compreender que Jesus envia os discípulos a todas as nações. A missão de anunciar o Evangelho não está reservada apenas ao grupo dos Doze, é confiada a todos os discípulos, para irem até aos confins da terra. É toda a Igreja que é missionária e está constantemente em missão. Todos somos discípulos missionários, como nos relembra constantemente o Papa Francisco.

«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara». É nesta palavra do Evangelho que se baseia a oração pelas vocações, em particular pelas vocações ao ministério pastoral: pedir a Deus para fazer de cada batizado testemunha da Boa Nova da salvação dada em Jesus. E se os trabalhadores são poucos, é talvez porque os batizados não estão ainda suficientemente conscientes da sua missão.

Na Igreja, não deveria haver cristãos que se contentam em ser passivos consumidores espirituais. Todos são chamados a ser pedras vivas. Além disso, a seara não pertence aos ceifeiros. A seara é do mestre, que envia trabalhadores para a sua seara. É Deus que, em Jesus, semeia a boa semente. Este grão, de seguida, cresce sozinho, até ao tempo da ceifa. Os trabalhadores vêm recolher o fruto de um trabalho que os precedeu. Os ceifeiros nunca devem esquecer que um Outro está em ação há muito tempo no coração das pessoas para nelas semear o grão do seu amor. Não devemos agir como se o êxito do nosso serviço dependesse exclusivamente dos nossos esforços!

«A seara é grande, os trabalhadores são poucos. Ide! Envio-vos!» Que a nossa resposta seja sempre em missão. Que isso aconteça particularmente neste tempo de verão em que podemos testemunhar a nossa fé em tantas situações e caminhos de procura e encontro, de presença e proximidade com quem vamos caminhando em cada dia. No dizer da primeira leitura, que isso se concretize em atitudes de misericórdia e consolação, de delícia e carícia, de alegria e louvor, que são essenciais manifestações de Deus em nós.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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