Como olhamos Deus e os irmãos?

A liturgia da Palavra do terceiro Domingo do Tempo Comum recorda-nos que Deus ama cada homem e cada mulher e chama-os à vida plena e verdadeira. A resposta da pessoa ao chamamento de Deus passa por um caminho de conversão pessoal e de identificação com Jesus.

Isso está bem explícito na primeira leitura, através da história do envio do profeta Jonas a pregar a conversão aos habitantes de Nínive, disponíveis para escutar os apelos de Deus e percorrer um caminho imediato de conversão, o que constitui um modelo de resposta adequada ao chamamento de Deus.

Também a segunda leitura nos recorda que, na marcha pela história, somos convidados a viver de olhos postos no mundo futuro, a dar prioridade aos valores eternos, a convertermo-nos aos valores do Reino.

No Evangelho, Marcos avisa que a entrada para a comunidade do Reino pressupõe um caminho de conversão e de adesão a Jesus e ao Evangelho, um convite a todos os homens para se tornarem seus discípulos e para integrarem a sua comunidade. Esse chamamento é radical e incondicional: exige que o Reino se torne o valor fundamental, a prioridade, o principal objetivo do discípulo.

Podemos dizer que há no Evangelho uma troca de olhares ou olhares trocados. João Baptista põe o seu olhar em Jesus e diz quem Ele é. Jesus olha André e o seu companheiro, interroga-os e convida-os a vir e a ver. Estes veem onde Ele mora e ficam com Ele. André leva o seu irmão a Jesus que põe nele o seu olhar e dá-lhe um novo nome, o que por si constitui todo um programa de vida. Olhares que interrogam, olhares que nomeiam, olhares que convidam, olhares que dizem a amizade.

Troquemos o nosso olhar com o olhar de Deus, olhando o seu Filho Jesus. Voltemo-nos sempre para Cristo. Em comunidade, é bom ouvir o apelo à conversão: as nossas maneiras de viver e de trabalhar devem também, sem cessar, ser regeneradas para melhor corresponder àquilo que Cristo espera de nós. É preciso que, juntos, nos viremos para Ele. O Evangelho deste domingo é uma excelente oportunidade para um tempo de discernimento que muito raramente fazemos sobre o nosso olhar de conversão e de adesão à Pessoa de Cristo.

Estamos a viver a semana de oração pela unidade dos cristãos. Acolhamos o olhar de Deus em nós que nos convida à unidade em Cristo no seu Espírito, renovemos o nosso olhar, pela oração e pela conversão de mentalidade, em relação a todos os que peregrinam noutras confissões cristãs e que são nossos irmãos em Cristo. Todos unidos à volta da Palavra, neste Domingo da Palavra de Deus.

Na Semana do Consagrado, que vai decorrer de 26 de janeiro a 2 de fevereiro, somos convidados a olhar aqueles e aquelas que se dedicam a Deus e ao próximo nesta forma de vida cristã pela profissão dos votos de castidade, pobreza e obediência. Rezemos para que sejam fiéis e felizes na sua vocação e missão profética na Igreja e no mundo.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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