Apaixonados pela Cruz de Cristo

Vivemos este Domingo de Ramos de 2020 profundamente atingidos pela pandemia do coronavírus, que esperamos que seja ultrapassada com o empenho de todos e com a oração.

A liturgia da Palavra convida-nos a contemplar Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, Se fez servo dos homens, Se deixou morrer para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos.

A Cruz está no centro da liturgia deste domingo; apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

As celebrações deste dia estão plenas de simbolismo, que não podemos presenciar fisicamente dada a situação. É sobretudo a Palavra de Deus que deve marcar o andamento do nosso celebrar, em particular o longo texto do Evangelho da Paixão.

Aí somos convidados a contemplar a Paixão e Morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de nos libertar de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na Cruz, revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.

Jesus quis repartir connosco essa vida plena até ao fim dos tempos: eis a mais espantosa história de amor que é possível contar, a boa notícia que enche de alegria o nosso coração de crentes.

Contemplar a Cruz significa assumir a mesma entrega de Jesus e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos e descartados, os que são privados de direitos e de dignidade, os que mais sofrem esta pandemia.

Olhar a Cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que as pessoas continuem a crucificar pessoas; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor.

Viver deste modo pode conduzir à morte, mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.

A Cruz é símbolo da vida como paixão. Jesus foi um apaixonado. Uma só coisa contava para Ele: salvar a humanidade, arrancando-a do egoísmo, da violência, do orgulho, da riqueza, da idolatria, de tudo o que leva à morte e à infelicidade, para lhe propor o serviço, o acolhimento, o perdão, tudo o que leva à vida e à felicidade, em suma, ao Amor.

Durante a Semana Santa, que vamos viver nas nossas casas, onde possível acompanhando as celebrações pelos meios de comunicação, ergamos os olhos para Cristo na sua Paixão por Deus seu Pai, na sua paixão pela Humanidade, para que nós sejamos também apaixonados pela Cruz de Cristo, na plenitude do Amor de Deus.

Conduzidos pela Palavra, vivamos a Semana Santa como Santa Semana do Amor de Deus por nós. Aí está a essência da vida cristã.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

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