Viver como filhos da luz

“Viver na luz”: é deste modo que a Palavra de Deus deste quarto domingo da Quaresma define a experiência cristã.

No Evangelho, Jesus apresenta-Se como a luz do mundo. Na segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que escolham a luz, recusando viver nas trevas, à margem de Deus. A primeira leitura não se refere diretamente ao tema da luz. No entanto, a escolha de David para rei de Israel e a sua unção é um ótimo pretexto para refletirmos sobre a unção que recebemos no dia do nosso Batismo e que nos constituiu testemunhas da luz de Deus no mundo.

Mas voltemos ao Evangelho, no episódio do cego de nascença que apresenta Cristo como luz do mundo. «Tu acreditas no Filho do homem?», pergunta Jesus. O cego respondeu-Lhe: «Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?» Disse-lhe Jesus: «Já O viste: é Quem está a falar contigo». O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor».

A afirmação de fé que o cego faz com alegria e a adesão incondicional a Jesus e à sua proposta libertadora deveriam ser modelo para todos nós. O milagre da cura é o sinal de que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecê-l’O como o único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva-nos a viver como filhos da luz.

Em tempo de Quaresma, a Palavra de Deus convida-nos a um processo de renovação que nos leve a deixar tudo o que nos escraviza, aliena e oprime, a deixar tudo o que não deixa brilhar em nós a luz de Deus e impede a nossa plena realização.

Para que a celebração da ressurreição na manhã de Páscoa seja plena de significado, é urgente realizarmos esta caminhada quaresmal e renascermos como homens novos que vivem na luz e dela dão testemunho. Há, certamente, um longo e constante caminho a percorrer para que tal aconteça.

Receber a luz que Cristo oferece é também acender a luz da esperança no mundo, eliminando as trevas que geram sofrimento, injustiça, mentira e alienação. Há que fazer com que a luz de Cristo, que os padrinhos nos passaram em testemunho no dia em que fomos batizados, continue a brilhar em nós e a iluminar o mundo.

Voltemos ao convite de São Paulo para vivermos na luz, porque somos filhos da luz. Em concreto, tal significa praticar as obras de Deus: a bondade, a justiça e a verdade. Para isso, a atitude é ainda proposta na segunda leitura: «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti». Que assim seja nesta quarta semana da Quaresma!

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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