D. Armando Esteves Domingues pede «cuidado pelos outros» e afirma que vai dar prioridade a «tudo o que tenha a ver com Jovens ou Jornada Mundial da Juventude»

Angra do Heroísmo, 15 jan 2023 (Ecclesia) – D Armando Esteves Domingues presidiu à Eucaristia da entrada solene na diocese de Angra e, na sua primeira homilia, definiu que quer uma Igreja de portas abertas, “menos clerical” e onde todos os jovens “têm lugar e voz”.  

“Gostaria de poder exercer um ministério aberto: a minha porta, a comunicação e coração estarão sempre abertos para todos: clérigos ou leigos, mais ricos ou pobres, mais idosos ou jovens, seja na casa episcopal ou em qualquer casa em outras ilhas. Que não se diga que o bispo anda sempre muito ocupado. Vou procurar marcar dias e horas de porta aberta, mesmo sem marcar”, proferiu o novo bispo de Angra na sua homilia.

D. Armando Domingues dirigiu-se os presentes como “caros amigos açorianos” e partilhou que ali chegou com a “mesma alegria e disponibilidade do primeiro “sim”, dado já na juventude”.

Como “segunda prioridade” o novo bispo de Angra definiu o sínodo 2023/24 “que vem fazendo caminho” e onde “na escola da sinodalidade a vida da Igreja será mais participada por todos, menos clerical e mais capaz de compreender e dialogar com as novas culturas”.

“Não há célula mais sinodal que a família e, delas, podemos aprender melhor o que seja “caminhar juntos e unidos”! Atrevo-me a dizer: nada sem a família. Nada sem as “igrejas domésticas”! Os membros da família perceberão porventura melhor o clamor dos que pedem melhor acolhimento, que não sejam julgados ou até rejeitados”.

“A terceira prioridade” definida por D. Armando Domingues são os jovens e a Jornada Mundial da Juventude, como “uma oportunidade para um exercício prático do diálogo entre a Igreja e a sociedade civil”.

Foto Agência ECCLESIA/HM

“Nenhum jovem açoriano deverá ficar de fora a ver passar os aviões ou os navios e não falo apenas dos ligados às paróquias ou Movimentos. Todos têm lugar e voz! A tudo o que tenha a ver com Jovens ou Jornada Mundial da Juventude, darei prioridade na minha agenda deste ano. Gostaria poder entrar também na vossa agenda e caminhar convosco”, indicou.

D. Armando Domingues pediu aos responsáveis, “padres, religiosos, animadores, dirigentes do CNE e outros Movimentos juvenis” para ajudarem na preparação e acompanhamento até à JMJ Lisboa 2023.

Na sua homilia houve ainda uma saudação à “comunicação social, ao mundo empresarial, da cultura, do associativismo, do desporto e das artes” e considerada a necessidade de “verdadeiros artistas que pintem a beleza de Deus e das suas criaturas”. 

“Iremos conhecer-nos, se Deus quiser! Podeis contar comigo sempre “da melhor vontade”, como dizem os nossos escuteiros mais novos, os Lobitos”, prometeu.

O 40º bispo de Angra pediu ainda o “cuidado uns pelos outros”.

“Cuidemos uns dos outros, cuidai dos membros dos grupos de que fazeis parte, mas sempre e todos a olhar para o mundo à vossa volta. Nunca fechados! Fechados, morremos”.

A olhar o futuro D. Armando Domingues, de 65 anos, lembrou o “sonho do Papa Francisco para a Igreja”. 

“Começaremos em breve a preparar a celebração dos 500 anos da nossa Diocese. Que Igreja queremos daqui a 10 anos? Sonhemos juntos para esta nossa diocese a Igreja da Esperança, capaz de galvanizar a todos. A Igreja nas suas expressões, não existe para si própria. Se a Igreja é a nossa casa, o irmão é a nossa vocação e missão”, referiu.

Aos sacerdotes, o novo bispo de Angra pediu um “presbitério unido, criativo e capaz de gerar vida e atrair vidas renovadas”.  

“Um presbitério de homens de esperança e não acomodados e menos ainda desanimados. A vida precisa ser plena para nos fazer felizes”.

No início da Missa e antes da leitura da bula de nomeação do 40º bispo da Diocese de Angra, proferida pelo núncio Apostólico em Portugal presente na celebração, o cónego Helder Fonseca Mendes, ex-administrador diocesano e pároco da Sé, agradeceu ao novo bispo o facto de “aceitar a missão de pastor” nas Ilhas dos Açores.

A celebração contou com um ofertório enriquecido por 17 símbolos, com produtos representativos de cada ouvidoria, entregues a D. Armando Domingues que, atentamente, os recebeu.

No fim da celebração, dois jovens ofereceram uma cruz peitoral a D. Armando Domingues, com uma referência ao culto do Divino Espírito Santo, a qual agradeceu e prometeu “caminhar com todos”.

D. Armando Esteves Domingues nasceu a 10 de março de 1957 em Oleiros, Diocese de Portalegre-Castelo Branco; foi ordenado padre 13 de janeiro de 1982, na Diocese de Viseu.

A 27 de outubro de 2018, o Papa nomeou-o como auxiliar da Diocese do Porto, tendo sido ordenado bispo a 16 de dezembro de 2018, na Catedral de Viseu.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, D. Armando Esteves Domingues preside à Comissão Missão e Nova Evangelização.

HM/SN

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