Angra: Bispo alertou que «século XXI pode ser o pior de todos» para a liberdade religiosa

Diocese acolheu apresentação do Relatório 2025 sobre Liberdade Religiosa no Mundo da AIS

Foto: Igreja Açores/CR

Ponta Delgada, Açores, 29 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra afirmou que o «Século XXI pode ser o pior de todos para a liberdade religiosa”, na apresentação do relatório Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), esta terça-feira, 29 de abril, em Ponta Delgada.

“Dizia-se que o século XX tinha tido mais mártires que os primeiros tempos da Igreja, em que havia muitos cristãos perseguidos, atirados às feras, nos circos. Se calhar o século XXI vai ser ainda mais dramático que o século XX, pelo menos pelos sinais que nós vemos”, disse D. Armando Esteves Domingues, citado pela AIS.

O bispo de Angra realçou que a liberdade religiosa “é talvez um dos sinais mais claros da saúde moral de uma sociedade”, quando não há liberdade religiosa, “também não haverá outras liberdades”, e apelou ao reforço da missão evangelizadora da Igreja, por isso, “neste momento da história” têm de “dar muita força aos missionários”.

O secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apresentou o seu relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo, “pela primeira vez” nos Açores, esta terça-feira, 28 de abril, no Centro Pastoral Pio XII, em Ponta Delgada, informa o portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.

Na edição 2025, este documento analisou 196 países, destes 62 não garantem plenamente a liberdade religiosa – 24 foram classificados como países de perseguição religiosa, onde os crentes podem ser presos, torturados ou até mortos, e nos 38 países de discriminação religiosa, persistem restrições ao culto, desigualdade de expressão e marginalização social.

No total, informa a AIS, cerca de 5,4 mil milhões de pessoas vivem em contextos onde este direito é limitado ou negado, e o bispo de Angra partilhou que está preocupado com “todos estes dados que aparecem no relatório”.

“Preocupa-me um outro dado que também começa a surgir, nomeadamente quando falamos de cristianismo nacionalista: o perigo de fazermos como outros fazem e retribuir na mesma moeda”, acrescentou D. Armando Esteves Domingues.

A Diocese de Angra informa que o seu bispo denunciou também formas contemporâneas de intolerância, as perseguições dirigidas a migrantes e mulheres, muitas vezes visíveis nas redes sociais e protagonizadas por grupos políticos extremistas, que radicalizam o discurso e polarizam posições.

“É urgente defender a liberdade de todos e a beleza dessa fraternidade que é consequência da forma como Deus nos criou, uma única humanidade de que todos fazemos parte. E tal como Deus nos criou e colocou ao lado uns dos outros, como seres humanos, é importante que nos aprendamos a fortalecer e a defender uns aos outros.”

A responsável nacional da AIS explicou que a liberdade religiosa continua a revelar-se “um indicador decisivo da paz e da verdadeira liberdade”, nos 25 anos de publicação deste relatório da fundação pontifícia.

“Quando não há liberdade religiosa, não há paz”, alertou Catarina Bettencourt Martins, que alertou para o uso crescente da inteligência artificial e de novas tecnologias para vigiar, controlar ou limitar comunidades religiosas, como o aumento do antissemitismo e dos crimes de ódio.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que celebra 80 anos em 2026, mantém uma missão assente no pilares ‘informar, partilhar, orar’, e destacou a sua missão humanitária, intensificada desde 2014, no Iraque, quando milhares de cristãos fugiram do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), apoio prolongado à Síria, e a diversos países africanos.

A AIS está a promover uma petição internacional em defesa da liberdade religiosa, que foi assinada por D. Armando Esteves Domingues, e convidou os participantes a assinar, divulgar, e a rezar pelas vítimas de perseguição.

Nesta iniciativa foi organizada em parceria com a Comissão Diocesana para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso de Angra, que integra o Instituto Católico de Cultura, foi apresentada uma biografia do beato João Batista Machado, mártir no Japão por ser cristão, no século XVII, e padroeiro da diocese católica, informa o sítio online ‘Igreja Açores’.

CB/OC

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