«Um tempo que nos predispõe para rever a nossa vida e para restabelecer a reconciliação, o reencontro, a harmonia fraterna e a comunhão com Deus» – D. Manuel Quintas

Faro, 20 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirmou na homilia da Missa de imposição das cinzas que a Quaresma deve ser “verdadeiramente um tempo de conversão”.
“Conversão pessoal será tanto mais autêntica quanto mais se inspirar na escuta mais prolongada da Palavra de Deus, e também na resposta aos seus apelos”, disse D. Manuel Quintas, citado pelo jornal diocesano ‘Folha de Domingo’.
“No encontro pessoal e mais íntimo com a pessoa de Cristo através da oração, na partilha solidária e fraterna com os mais necessitados, fruto do jejum”, acrescentou o bispo diocesano.
A Quaresma que se inicia com a celebração de Cinzas (quarta-feira), este ano dia 18 de fevereiro, é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).
“Temos alguma tendência para nos determos, por vezes, na aparência, naquilo que se vê, naquilo que compõe este caminho de Quaresma e a darmos menos tempo ao essencial, que é a nossa conversão interior”, realçou D. Manuel Quintas, lembrando que Jesus alerta os seus discípulos para não caírem “no faz de conta, na aparência, na ilusão”.
O bispo do Algarve pediu que se comece este “tempo de conversão” da Quaresma, procurando “dar mais espaço” na vida “à ação e à presença de Deus e também à presença dos irmãos”.
“A Quaresma surge sempre como uma oportunidade que nos é oferecida. Portanto, um tempo que nos predispõe para rever a nossa vida e para restabelecer a reconciliação, o reencontro, a harmonia fraterna e a comunhão com Deus; um tempo de redescoberta do amor misericordioso de Deus”, desenvolveu, na homilia onde lembrou que o Papa Leão XIV faz “três convites a todos os cristãos”: a “escutar”, a “jejuar” e a “caminhar juntos”.
D. Manuel Quintas afirmou que “a Quaresma não é um fim em si mesma”, mas um “caminho que conduz à Páscoa”, e referiu que espera que “pela escuta de Deus e dos irmãos”, a “Igreja Diocesana se torne cada vez mais, em cada um dos seus membros, um sinal visível da misericórdia do Pai”.
A renúncia quaresmal, a partilha, é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.
Na Missa das Cinzas, o bispo do Algarve recordou a sua mensagem para a Quaresma 2026 e recordou que a renúncia quaresmal diocesana vai reverter para o Fundo Solidário, que tem a “finalidade de apoiar situações de extrema necessidade, provocadas pelas recentes e sucessivas depressões”, informa o jornal diocesano ‘Folha de Domingo’.
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