Na primeira vez que falou publicamente sobre este tema, D. Manuel Quintas destacou «coragem» do Papa

Faro, 08 mar 2019 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirmou que “nunca ninguém” lhe fez “a mais pequenina referência” sobre o tema dos abusos sexuais nesta diocese, uma “chaga” que “de maneira nenhuma” pode “continuar na Igreja”.

“Sabemos que a Igreja é santa em Cristo e é pecadora nos homens, inclusivamente naqueles que são chamados ao ministério ordenado, mas não podemos pactuar, de maneira nenhuma, com estas situações”, disse D. Manel Quintas, no final da Eucaristia de Quarta-feira de Cinzas.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, pelo jornal ‘Folha do Domingo’, o bispo do Algarve salientou que não se pode, “de maneira nenhuma, admitir” que os abusos sexuais possam “continuar na Igreja”.

“No que diz respeito a esta chaga nunca ninguém me fez a mais pequenina referência a esse respeito”, explicou sobre quase 19 anos nesta Igreja, e realçou que deve ser “motivo de alegria” e de orgulho dos cristãos algarvios em relação aos seus padres.

Na Sé de Faro, D. Manuel Quintas revelou admiração pela “coragem” do Papa Francisco “em querer erradicar da Igreja” a “chaga” dos abusos sexuais e pediu que todos “incluíssem neste caminho quaresmal de conversão também esta intenção”.

“Quando o Papa pede perdão, é toda a Igreja que o pede e nós também. Quando o Papa se entristece e faz penitência, também tendo presente esta chaga, todos devemos fazer essa penitência”, desenvolveu.

Nesta quinta-feira, o Papa Francisco, que promoveu uma cimeira sobre a proteção dos menores na Igreja (21-24 de fevereiro), disse que a “dor e sofrimento” provocados pelos casos de abusos sexuais sobre menores, por membros do clero ou instituições católicas, representam um momento de “purificação” para a Igreja, num encontro com os padres da Diocese de Roma.

No Algarve, na Missa de Quarta-feira de Cinzas, o seu bispo destacou que a Quaresma é um “tempo oportuno de caminho espiritual” que “pede a conversão, a mudança de vida”.

D. Manuel Quintas lembrou que os cristãos são “convidados” a acolher, a celebrar e a partilhar uns com os outros.

“A procura do silêncio exterior e interior, a intensificação da oração, a prática do jejum solidário, a esmola e a partilha fraterna constituem a referência habitual e critério para avaliar a eficácia do caminho de conversão quaresmal”, desenvolveu, pedindo aos cristãos que identifiquem o que precisam mudar nas suas vidas “em relação a Deus”, “aos outros”, “ao mundo” e a si mesmos.

A Quaresma, que começou com a celebração das Cinzas, é um tempo de 40 dias marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, um itinerário de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão, este ano a 21 de abril.

A renúncia quaresmal do Algarve destina-se a apoiar duas dioceses em Angola, e o bispo algarvio explicou que quando se fala “em dioceses de África” é preciso “mudar um bocadinho a perspetiva”.

“Luena é duas vezes e meia maior que Portugal e tem 223 mil quilómetros quadrados de superfície”, exemplificou, acrescentando que Viana “equivale” a “mais de três dioceses do Algarve e tem dois milhões de habitantes”.

CB

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