Francisco encontrou-se com o clero da Diocese de Roma

Roma, 07 mar 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje em Roma que a “dor e sofrimento” provocados pelos casos de abusos sexuais sobre menores, por membros do clero ou instituições católicas, representam um momento de “purificação” para a Igreja.

“Sinto que devo partilhar convosco a dor e o sofrimento insuportáveis que causam em nós e em todo o corpo eclesial a onda de escândalos dos quais os jornais de todo o mundo estão cheios”, assinalou, falando durante a liturgia penitencial de início da Quaresma que decorreu na Basílica de São João de Latrão – sede da Diocese de Roma.

“O pecado desfigura-nos e fazemos dolorosamente esta humilhante experiência quando nós mesmos, ou um dos nossos irmãos sacerdotes ou bispos, cai no abismo sem fundo do vício, da corrupção ou, pior ainda, do crime que destrói a vida dos outros”, acrescentou.

Citando a sua intervenção no final da inédita cimeira sobre a proteção dos menores na Igreja (21-24 de fevereiro), que reuniu presidentes de conferências episcopais e institutos religiosos, no Vaticano, o Papa considerou que “o verdadeiro significado do que está a acontecer se deve procurar no espírito do mal, no Inimigo”, numa alusão à figura do demónio.

“Não devemos desanimar! O Senhor está a purificar a sua Esposa e está a converter-nos todos a Ele. Ele está a fazer-nos experimentar a provação, para que entendamos que sem Ele somos pó. Está a salvar-nos da hipocrisia, da espiritualidade das aparências”, sustentou.

Francisco realçou a necessidade de um verdadeiro “arrependimento” para que todos possam retomar o caminho da “santidade”.

O nosso humilde arrependimento, silencioso, entre lágrimas, perante a monstruosidade do pecado e a grandeza insondável do perdão de Deus, este humilde arrependimento é o início da nossa santidade”.

O Papa convidou os sacerdotes de Roma a não terem medo de dedicar suas vidas ao serviço da reconciliação entre Deus e os homens, embora a vida de um sacerdote possa ser muitas vezes marcada por mal-entendidos, sofrimentos, perseguições e pecados.

Após a meditação do vigário pontifício para a Diocese de Roma, cardeal Angelo De Donatis, Francisco ouviu alguns sacerdotes em Confissão e concluiu a celebração oferecendo aos presbíteros um subsídio para as leituras da Quaresma, tempo que antecede a Páscoa no calendário católico.

No final do encontro o Papa pediu o apoio de todos para a campanha da Cáritas diocesana “Como no céu, assim na terra”, para responder às várias formas de pobreza.

OC

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