Lisboa, 07 set 2020 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apelou à oração para uma saída pacífica para a crise na Bielorrússia, destacando a ação da Igreja Católica em favor da paz.

Em informação enviada hoje à Agência ECCLESIA pelo secretariado português da AIS, Magda Kaczmarek, especialista da fundação pontifícia nos assuntos da Bielorrússia, destacou a importância da mensagem de D. Tadeusz Kondrusiewicz, lembrando que “não haverá verdade onde a violência triunfa”, tendo pedido “a todos os benfeitores” da Ajuda à Igreja que Sofre “para rezarem pela paz e contra o ódio”.

A Bielorrússia vive uma “grave crise política” de “consequências imprevisíveis” na sequência das eleições presenciais de 9 de agosto que reelegeram para um sexto mandato o presidente Alexander Lukashenko, há 26 anos no poder, mas foram consideradas “fraudulentas pela oposição”.

Os protestos por eleições livres continuaram nos dias 5 e 6 de setembro e a Fundação AIS alerta para o “aumento em algumas dezenas o número de manifestantes detidos pelas forças policiais”.

O arcebispo de Minsk e presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Bielorrússia, D. Tadeusz Kondrusievicz, que criticou a violência policial contra os manifestantes ficou retido “sem explicação” na fronteira com a Polónia, no regresso de uma reunião de trabalho, a 31 de agosto.

O presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo emérito de Génova, defendeu o primado do diálogo, apelando ao regresso do arcebispo de Minsk ao seu país, num comunicado publicado no dia 3 de setembro.

A Fundação Ajuda à Igreja assinala que a Igreja Católica tem “procurado evitar” que a Bielorrússia fique refém da violência e o arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz que classificou que a crise “sem precedentes”, e que se “agrava de dia para dia”, anunciou uma peregrinação de uma imagem de São Miguel Arcanjo em quatro igrejas-catedrais, em setembro.

Na sua mensagem, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Bielorrússia que refere as “dificuldades” causadas pelo regime ateísta totalitário observa que “apenas no início dos anos 90 do século passado” o país “obteve a liberdade” que pode ser considerado “um grande dom” e “uma grande tarefa”.

Já no dia 16 de agosto, o Papa Francisco disse seguir “com atenção a situação pós-eleitoral” na Bielorrússia e apelou “ao diálogo, à recusa da violência e ao respeito pela justiça e o Direito”.

No seu relatório sobre liberdade religiosa, a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre explica que a liberdade religiosa “é garantida pelo artigo 31º da Constituição e permite que os indivíduos professem quaisquer crenças religiosas e participem em actos de culto, desde que não estejam proibidos por lei” e recorda que o presidente Alexander Lukashenko encontrou-se com o Papa Francisco para discutir as relações bilaterais, em maio de 2016, no Vaticano.

CB

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