Em entrevista à rádio de Espanha Cadena Cope, Francisco falou também do acordo com a China e disse que, depois da viagem à Hungria e à Eslováquia, deseja visitar, na Europa, Chipre, Grécia e Malta

Foto Rádio Cope

Cidade do Vaticano, 01 set 2021 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje sobre a “situação difícil” do Afeganistão que a Santa Sé está a ajudar, “ou pelo menos ofereceu ajuda”, e considera que “nem todas as eventualidades” foram consideradas na saída da coligação internacional do país.

“Pelo que vejo nem todas as eventualidades foram levadas em consideração, ao que parece, não quero julgar. Não sei se haverá uma revisão ou não, mas certamente houve muito engano talvez por parte das novas autoridades, engano ou muita ingenuidade, não entendo”, disse o Papa, numa entrevista à Radio espanhola Cadena Cope, emitida hoje.

Sobre o trabalho diplomático da Santa Sé, nesta “situação difícil” do Afeganistão, Francisco referiu que a Secretaria de Estado “está a ajudar ou pelo menos ofereceu ajuda”.

O Papa disse que o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, é “um diplomata que acrescenta, não um daqueles que subtrai”: “O melhor diplomata que já conheci”.

Os talibãs tomaram o controlo do Afeganistão e chegaram à capital Cabul no dia 15 de agosto, com a retirada das tropas da coligação internacional encabeçada pelos Estados Unidos da América, e regressam ao poder 20 anos depois de terem governado o país, entre 1996 e 2001.

Na última quinta-feira, um atentado terrorista matou pelo menos 170 pessoas, incluindo 13 soldados norte-americanos, junto ao aeroporto de Cabul, onde se concentravam civis e militares para se retirarem do país.

Este domingo, o Papa pediu a todos para “intensificar a oração e praticar o jejum” pela paz no país e explicou, na entrevista à emissora católica de Espanha, que acredita que é o que deve fazer “como pastor”, que é o que “o que a Igreja pede sempre nos momentos de maior dificuldade”.

Sobre as relações da Santa Sé com os países, o acordo com a China foi um dos temas e Francisco explicou que “não é fácil”, mas está convencido que “o diálogo não deve ser abandonado”, que esse “é o caminho”.

“O que foi alcançado até agora na China foi pelo menos o diálogo, algumas coisas concretas como a nomeação de novos bispos, lentamente. Mas são passos que podem ser discutidos ​​e os resultados de uma parte ou de outra”, acrescentou, explicando que uma figura que o “ajuda e inspira” é o cardeal Agostino Casaroli, que foi secretário de Estado n o pontificado de São João Paulo II, e “o homem encarregado de construir pontes com a Europa Central” com o Papa João XXIII.

Neste mês de setembro, o Papa visita a Hungria e a Eslováquia, 12 a 15 de setembro, uma viagem que inicia em Budapeste, cidade que acolhe o próximo Congresso Eucarístico Internacional.

No contexto das políticas de migração na Hungria e um possível encontro com o primeiro-ministro Víctor Orban, Francisco adianta que não sabe se vai conhecê-lo mas não anda com um guião: “Quando estou à frente de uma pessoa olho nos olhos dela e deixo as coisas saírem”.

O Papa recordou que diante dos migrantes existem “quatro atitudes – acolher, proteger, promover e integrar” – acrescentou que “os países têm de ser muito honestos consigo mesmos e ver quantos podem aceitar e até que número”, por isso, “o diálogo entre as nações é importante”, e alertou para “o inverno demográfico”.

No âmbito das viagens pontifícias, e uma visita a Espanha pelo ano santo de Compostela, o ano jacobeu, Francisco lembra que prometeu ao presidente da Junta de Galícia “pensar no assunto”, mas a sua opção na Europa são os países pequenos, e depois da Eslováquia virão “Chipre, Grécia e Malta”.

Na longa entrevista à emissora espanhola Cadena Cope, o Papa referiu-se também ao processo independentista na Catalunha, e questionou “se Espanha está totalmente reconciliada com a sua própria história, sobretudo do século passado”, o que não quer dizer “abdicar de posições próprias, mas entrar num processo de diálogo e reconciliação”.

Francisco conversou ainda sobre as reformas na Igreja, casos de justiça, a vontade de participar na COP26, em Glasgow, e, a nível mais pessoal, da família, da sua saúde e futebol.

CB/PR

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