Sacerdote partilhou desafios, preocupações e lembrou «concílio diocesano», um dos «maiores exercícios» de sinodalidade

Foto: Igreja Açores

Angra do Heroísmo, Açores, 21 out 2021 (Ecclesia) – O padre Emanuel Valadão Vaz, dna Diocese de Angra, destacou a necessidade de a Igreja no arquipélago encontrar estratégias para retomar a energia de “outros tempos”, recordando um dos “maiores exercícios de sinodalidade”, na Escola Cristã da Ouvidoria da Praia.

“Sem querer ficar demasiado agarrado ao que está para trás, não posso deixar de dizer que o nosso pequeno ‘concílio diocesano’ foi um dos maiores exercícios de sinodalidade, ou seja de caminharmos juntos, vividos no todo da nossa diocese”, disse o sacerdote, lembrando o Congresso de Leigos diocesano, realizado entre 1989 e 1992.

Segundo o padre Emanuel Valadão Vaz, parece que ficaram “sem saber o que fazer com aquele tesouro” que Deus lhes colocou nas mãos.

O portal ‘Igreja Açores’ informa que o coordenador da Ouvidoria (arciprestado) da Praia, na Ilha Terceira, procurou traçar o itinerário do caminho sinodal que a Igreja está a realizar, centrando-se a realidade social e eclesial local.

“Mais do que parecer que estamos a navegar no mar da sinodalidade, interessa-nos perceber as várias experiências vividas que, entretanto, fermentam este trabalho em conjunto, bem como o rumo a tomar e o porto aonde queremos aportar”, explicou o padre Emanuel Valadão Vaz.

O sacerdote partilhou também sugestões, que convidam a “ir mais além”: “Nos laços que nos ajudam a quebrar as fronteiras paroquiais; ir mais além nos projetos comuns para uma pastoral atenta às riquezas e pobrezas espirituais, humanas, sociais; ir mais além no conhecimento de Jesus Cristo”.

“Ir mais além a tantas outras coisas no nosso trabalho em conjunto. É um grande desafio que continua presente”, acrescentou.

A Diocese de Angra está no terceiro ano do seu caminho sinodal e o padre Emanuel Valadão Vaz explicou “uma grande preocupação” é a catequese, sobretudo na infância, na adolescência e na juventude, a partir das respostas das estruturas locais aos diferentes instrumentos de trabalho da cúria diocesana, enviados para as ouvidorias para serem trabalhados a nível paroquial.

“Há, sem dúvida, uma falta de entusiasmo dos mais novos para participarem e se comprometerem, quer na Eucaristia, quer nas várias formas de servir a comunidade com a orientação que lhes vem do seu batismo. Esta realidade vem de longe e agrava-se cada vez mais”, partilhou.

O padre Emanuel Valadão Vaz salientou também a importância de aceitar a diversidade, realçando que “uma unidade na diversidade não anula ninguém”, mas enriquece e promove a fraternidade e o bem comum.

Para o coordenador da Ouvidoria da Praia é necessário também uma pastoral mais interveniente em “acolhimento e acompanhamento”, e não só a nível material.

Na sua reflexão, o sacerdote também lembrou a importância de os leigos estarem no mundo, nos seus ambientes, e exemplificou algumas fragilidades que os sacerdotes enfrentam, como não rezarem o suficiente, o “ativismo desordenado” e a solidão que é “um dos maiores desafios hoje”.

“A solidão manifesta-se sobretudo no facto de não termos família, de vivermos mais sós do que nunca, nos momentos em que nos sentimos incompreendidos, mas também no facto de não sabermos rezar a nossa solidão. O maior obstáculo a viver o celibato não é a sexualidade mas o facto de não termos companhia”, desenvolveu.

Os III Encontros de Reflexão Espiritualidade Ecológica, da Escola Cristã da Ouvidoria da Praia, realizaram-se entre segunda-feira e esta quarta-feira, no Centro Pastoral das Fontinhas, na ilha Terceira.

Foram também oradores destes encontros José Borges de Carvalho, jurista e ex-deputado regional, que refletiu sobre ‘espiritualidade laical’, e António Fria Martins, professor catedrático jubilado da Universidade dos Açores.

CB/OC

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