Anabela Borba assinala que pandemia isolou mais as pessoas

Angra do Heroísmo, Açores, 16 nov 2021 (Ecclesia) – A presidente da Cáritas Diocese de Angra disse que que “há muita pobreza envergonhada” nos Açores, apesar de “um grande apoio público”.

“É certo que nos Açores há muita pobreza envergonhada, mas há um grande apoio público. Os governos tiveram muita atenção a estes casos e por isso muitos não chegaram à Cáritas. Termos tido cerca de uma dúzia de novos casos, sinalizados pelas paróquias”, explicou Anabela Borba ao programa radiofónico ‘Igreja Açores’.

Segundo a responsável, a pandemia de Covid-19 “isolou” mais as pessoa, que perderam algum sentido de solidariedade, observando que o confinamento pode ter exacerbado “algum egoísmo em todos”.

“Não estamos tão solidários como já fomos. Isolamo-nos mais e embora tenhamos sentido a pandemia de forma diferente da do resto do país e da Europa, na verdade há setores que sofreram muito, sobretudo a indústria do turismo”, acrescentou.

Anabela Borba adianta que apesar das dificuldades, a Cáritas “não tem sentido uma enorme pressão”, destcando a iniciativa na Ilha Terceira, que desenvolveu um projeto de apoio aos taxistas de Angra.

A Igreja Católica assinalou este domingo o V Dia Mundial dos Pobres, com o tema “Sempre tereis pobres entre vós”, do Evangelho de Marcos.

Em Portugal, o Dia Mundial dos Pobres 2021 foi também assinalado pelo início da operação solidária de Natal ‘10 milhões de estrelas – um gesto pela paz’, promovida pela Cáritas Portuguesa e a sua rede nacional.

Na diocese açoriana aderiram a esta campanha quatro ilhas: Terceira, Pico, Flores e Corvo.

“O objetivo é trabalharmos as questões da solidariedade e da paz este ano com dinâmicas diferentes”, explicou a presidente da Cáritas de Angra.

Na Ilha Terceira, os técnicos vão falar com crianças do segundo ciclo da Escola Ferreira Drumond, sobre paz e sobre guerra, não apenas no sentido bélico, e promover a campanha ‘Alimento para todos’.

Ao programa de rádio ‘Igreja Açores’, Anabela Borba destacou também o desafio da formação na Cáritas Diocesana e refere que precisam de voluntários “despertos” para as questões do desenvolvimento e promoção humana e que se “disponibilizem a trabalhar”.

“Temos uma estrutura de Cáritas muito precária nesse sentido; ainda estamos muito focados em questões assistencialistas e as nossas redes Cáritas não têm técnicos nem voluntários preparados para fomentar projetos e procurar financiamentos”, desenvolveu a presidente da Cáritas dos Açores.

CB/OC

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