Reitor do Santuário expressou o desejo de que religiosa seja reconhecida como modelo de cristã, em Missa em São Miguel

Ponta Delgada, Açores, 15 mai 2026 (Ecclesia) – A Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres encerrou esta quinta-feira, em Ponta Delgada, nos Açores, com uma Eucaristia que ficou marcada pelo apelo à beatificação de Madre Teresa da Anunciada.
“Acrescento ao pedido do senhor bispo, que exortou o Papa a visitar os Açores no ano do seu jubileu maior, em 2034, por ocasião dos 500 anos, um outro que se prende com a beatificação de Madre teresa da Anunciada que poderia ser anunciada nessa altura”, afirmou o cónego Manuel Carlos Alves, citado pelo portal ‘Igreja Açores’.
Na homilia, o reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres refletiu sobre os mandamentos e as bem-aventuranças, centrando a sua mensagem no amor a Deus e ao próximo.
“O meu mandamento é o amor a Deus e o amor ao próximo”, referiu, lançando o desafio aos presentes a questionarem-se sobre a autenticidade da sua fé.
“O que é que dás da tua vida que mostre que estás ligado a Jesus?”, perguntou, indicando depois que a resposta deve ser dada “com humildade e consciência”, apesar das falhas humanas.
O cónego Manuel Carlos Alves lembrou Madre Teresa da Anunciada, religiosa responsável pela implementação do culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, apresentando-a como exemplo de vida cristã e de entrega total a Deus.
“Procurou ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática, seguindo-O sempre”, referiu sobre esta figura feminina, recordando que a religiosa procurou apenas servir Cristo, a quem chamava “o meu amado”, considerando-se apenas “um instrumento” nas mãos de Jesus.
Partindo da autobiografia de Madre Teresa da Anunciada, o reitor do Santuário evocou episódios que ilustravam essa entrega espiritual, nomeadamente referências à “questão do imposto do açúcar” e “do azeite”, exemplos que a própria entendia como sinais da ação de Deus na sua vida.
Além disso, o cónego Manuel Carlos Alves destacou a importância da decisão de levar a imagem do Senhor Santo Cristo para fora das paredes do convento, gesto que atribuiu à inspiração e coragem da religiosa.
“A saída da imagem das paredes do convento vai salvar muitas almas”, destacou.
O responsável expressou o desejo de que Madre Teresa da Anunciada seja reconhecida e possa ser posta, sem nenhuma reserva, como um modelo de cristã para as vidas de cada um, acrescentando que a religiosa viveu “80 anos com muitas lágrimas, mas também com muitas esperanças”, sempre voltada para Cristo através da venerada imagem do Senhor Santo Cristo.
“Aquilo que nós vemos na imagem são símbolos do amor de Madre Teresa para com o seu Senhor”, um amor que “contagiou os micaelenses” ao longo de gerações, assinalou.
Segundo informa o portal ‘Igreja Açores’, a celebração em honra da Madre Teresa da Anunciada finalizou com o sorteio da capa do Senhor Santo Cristo, oferecida em 2011 pela família Moniz, emigrada nos Estados Unidos da América, e que saiu pela primeira vez em 2013 e voltará a sair em breve.
Na cerimónia foi também defendida a necessidade de refletir sobre a criação de uma estrutura acrílica para melhor proteção e conservação da imagem durante o percurso das procissões, protegendo-a das intempéries que de alguma forma vão assoando a região, com mais frequência.
As festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres decorreram de 5 a 14 de maio e este ano contaram com a presidência do cardeal D. António Marto.
Madre Teresa d’ Anunciada, nascida e batizada no dia 25 de novembro de 1658, na freguesia de São Pedro, na ilha de São Miguel, recebeu o nome de Teresa de Jesus; Entrou para o Convento da Esperança e iniciou o noviciado a 19 de novembro de 1681.
A devoção pelo Senhor Santo Cristo deve-se à irmã da religiosa que morreu, com fama de santidade, a 16 de maio de 1738; Joana de Santo António “fez notar o quanto aquela Imagem era milagrosa, necessitando de ser cuidada e alumiada”.
LJ/OC
