Bispo de Angra fala da expressão «mais marcante da cultura e da religiosidade» na diocese

Angra do Heroísmo, Açores, 24 mai 2026 (Ecclesia) – O arquipélago dos Açores reúne entre o Pentecostes, que se celebra hoje, e a Santíssima Trindade, no próximo domingo, milhares de pessoas em celebrações consagradas ao Divino Espírito Santo.
“É de facto a expressão mais marcante da cultura e da religiosidade no arquipélago e que une todas as ilhas. Embora na sua diversidade, cada ilha é diferente de outra, mas tem este polo que a todos une, são as festas em honra do Divino Espírito Santo”, disse D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra, à Agência ECCLESIA.
As celebrações, estruturadas através de Irmandades laicais autónomas, baseiam-se na organização de refeições comunitárias, no enfeite das ruas e na distribuição solidária de bens alimentares a todos os estratos da sociedade.
“Em todas as festas, todas as expressões da devoção ao Divino Espírito Santo, tem sempre uma componente muito forte de partilha. E esta partilha é concreta, não é só de boas amizades ou boas vizinhanças, mas todas partilham o pão, a carne, as sopas do Divino Espírito Santo, distribuídas por toda a população”, indicou o bispo diocesano.
O culto traduz-se no funcionamento de mais de 300 confrarias reconhecidas pela diocese e presentes nas nove ilhas.
“Sem intermediários, a festa era da Irmandade, a partilha estendia-se a todos, homens, mulheres, crianças, naturais e estranhos, sem dependência de raça ou de estatuto social”, destaca um artigo publicado no portal diocesano ‘Igreja Açores’.
A relevância social da festividade originou a consagração da segunda-feira após o Pentecostes como feriado regional (Dia dos Açores), uma medida parlamentar adotada no ano de 1980.
As manifestações assumem contornos específicos conforme a geografia: na Terceira existem cerca de 70 impérios, enquanto o Pico, o Faial e São Jorge preservam insígnias que remetem para a influência dos povoadores flamengos do século XV.
As tradições incluem a distribuição generalizada de carne, pão e doces locais a milhares de pessoas, como sucede no Império da Terça-Feira da Madalena do Pico, que entrega cerca de cinco mil rosquilhas à população.
A cerimónia política oficial do Dia dos Açores decorre esta segunda-feira no Teatro Micaelense (Ponta Delgada), incluindo a homenagem à irmã Maria Amélia Costa, religiosa açoriana, e ao padre Edmundo Manuel Pacheco (a título póstumo), com a entrega da medalha de mérito cívico aprovada pela Assembleia Legislativa Regional.
HM/OC
