Festa decorreu, pelo segundo ano consecutivo, sem a presença de peregrinos

Ponta Delgada, Açores, 09 mai (Ecclesia) – O bispo da Diocese de Angra presidiu hoje à Missa da Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, recordando as vítimas da pandemia.

“Volto-me para o Senhor Santo Cristo dos Milagres para lhe implorar as suas graças e bênçãos para os nossos governantes e todos os que exercem serviços públicos, para as nossas famílias, para as crianças, jovens e idosos, para todos os que sofrem com a fome, a exclusão, o desemprego e a solidão, os afetados pela pandemia da Covid-19, para os presos e hospitalizados, para todos os que na diáspora procuram uma vida mais humana e colocam o seu coração neste santuário e no Senhor Santo Cristo dos Milagres”, referiu D. João Lavrador, na homilia da celebração, que teve transmissão televisiva e nas plataformas digitais.

As celebrações do Senhor Santo Cristo, na ilha açoriana de São Miguel, decorrem pelo segundo ano consecutivo com limitações, devido à pandemia, que impedem as várias procissões e momentos de veneração da imagem, na cidade de Ponta Delgada.

O bispo diocesano saudou todos os que seguiram a transmissão, em particular “os que se sentem impedidos” de celebrar esta festa, sublinhando que a mesma decorre “em expectativa e na esperança”.

D. João Lavrador começou por um convite à oração de todos: “Que o Bom Jesus, o Santo Cristo dos Milagres, nos alivie de todos os sofrimentos, sobretudo desta pandemia”.

O responsável católico assumiu que foi necessário restringir as celebrações dadas as circunstâncias e face aos “perigos que podiam resultar de um aglomerado muito grande de pessoas, quase incontrolável”.

“Hoje, em tempos normais, toda a sociedade açoriana estaria à volta da imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, cada um nas suas tarefas de serviço público”, assinalou.

O bispo de Angra chamou todos a “promover o bem comum e a dignidade humana”, com prioridade “aos mais excluídos e marginalizados”.

“Os tempos de pandemia que ainda vivemos, com reflexos na forma limitada e pouco usual de realizar estas festas, e que afetou toda a humanidade, é olhada não só pelos efeitos nefastos”, observou, mas também por uma oportunidade para “lançar os alicerces de uma nova cultura, uma nova civilização mais humana, pautada pela dignidade”.

A intervenção saudou os “gestos de amor” que se manifestaram ao longo da pandemia, “nas famílias de doentes e idosos, nos profissionais de saúde, forças de segurança, jornalistas e autoridades públicas, comunidades cristãs e tanta gente anónima”.

D. João Lavrador lançou um convite a renovar a sociedade e o mundo, “pelo amor”, partilhado entre todos, face aos abusos dos poderes “tecnológicos, políticos, económicos e mediáticos”.

“As ideologias, o racionalismo e todos os projetos políticos e sociais deverão abrir-se à novidade e à inspiração que só o amor, à maneira de Jesus de Nazaré, proporcionará”, sustentou.

O portal da Diocese de Angra sublinha que a festa em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres é, a seguir ao Espírito Santo, “a maior devoção dos açorianos”, fazendo convergir, anualmente, no quinto domingo a seguir à Páscoa milhares de fieis para o Campo de São Francisco em Ponta Delgada.

A capa que a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres estreia na festa deste ano foi oferecida pela Comissão de Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres de Brampton, no Canadá.

OC

As duas religiosas presentes no Santuário do Senhor Santo Cristo vão deixar a diocese, no próximo verão.

O reitor da instituição, cónego Adriano Borges, manifestou no final da Missa a sua “grande tristeza” pela partida das religiosas de Maria Imaculada, há mais de 60 anos no Convento da Esperança.

“Para onde quer que vão, têm sempre um lugar cá, no nosso santuário, no nosso coração, e certamente no coração de todos os açorianos”, declarou.

O bispo de Angra deixou, em seguida, uma “palavra muito sentida, de profunda gratidão” às religiosas.

“Que o Senhor compense o vosso trabalho e proteja a vossa congregação”, referiu D. João Lavrador.

A Diocese de Angra está a desenvolver contactos com várias congregações religiosas para encontrar uma nova presença permanente no Santuário do Senhor Santo Cristo.

“Seria bom que tivéssemos aqui uma comunidade contemplativa. Vamos fazer tudo por isso”, indicou o bispo diocesano.

 

 

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