D. António Marto considera que comunicação às autoridades judiciais deve ser feita «quanto antes»

Foto Agência ECCLESIA/JCP, Cardeal Tagle, Cardeal António Marto e Padre Carlos Cabecinhas

Fátima, 12 mai 2019 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima disse que espera nomear os membros de uma “estrutura de acolhimento das denúncias” de abusos sobre menores no mês de junho e afirmou que a comunicação às autoridades judiciais deve ser feita “quanto antes”.

“Do meu ponto de vista pessoal, acho que se deve comunicar às autoridades judiciais quanto antes, porque têm mais recursos humanos, mais meios e instrumentos mais eficientes, mais eficazes para apurar a verdade”, disse D. António Marto aos jornalistas, em Fátima.

Durante a conferência de imprensa de apresentação da Peregrinação Internacional Aniversária de maio ao Santuário de Fátima, D. António Marto valorizou a publicação da exortação apostólica do Papa Francisco “Vós sois a luz do mundo”, sob a forma de ‘Motu Proprio’ (documento de sua iniciativa pessoal).

Um documento que “entra em vigor no dia 1 de junho” e que indica que todas as dioceses católicas devem criar estruturas para receber denúncias de eventuais casos de abusos sexuais, até 2020.

“Quero saudar esta tomada de posição do Santo Padre como talvez o passo mais importante após a cimeira dos presidentes das conferências episcopais, em Roma”, afirmou o cardeal de Leiria-Fátima.

D. António Marto disse que vai ouvir “os seus mais próximos colaboradores” para depois nomear a estrutura na Diocese de Leiria-Fátima.

“Como costumo fazer as nomeações diocesanas em junho, espero nessa altura também fazer essa nomeação”, apontou aquele responsável, que salientou que a normativa do Papa insere-se na determinação de erradicar e por termo aos abusos sexuais sobre menores e vulneráveis e sobre adultos que possam sofrer abuso de poder e de violência”.

O cardeal de Leiria-Fátima lembrou ainda que os “bispos portugueses comprometeram-se a constituir esta estrutura ainda antes de sair este ‘Motu Proprio’”, tornando “obrigatória a denuncia” de casos por parte de clérigos, protegendo os que os denunciam e “oferecendo toda a proteção médica e espiritual às vítimas”.

A Conferência Episcopal Portuguesa publicou, em 2012, “Diretrizes referentes ao tratamento dos casos de abuso sexual de menores por parte de membros do clero ou praticados no âmbito da atividade de pessoas jurídicas canónicas”.

O comunicado final da última Assembleia Plenária da CEP, que decorreu entre o dia 29 de abril e 2 de maio, afirma-se que “os Bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento em ordem à proteção de menores nas suas Dioceses e a atualizar as diretrizes aprovadas pela Conferência Episcopal em 2012, tendo em conta as orientações da Santa Sé”.

JCP/PR

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