«A Igreja sempre viveu da poesia: a poesia sempre esteve presente na vida da Igreja e é uma necessidade. Os Evangelhos estão cheios de poesia mesmo sendo uma narrativa – olhamos para as palavras de Jesus e há um processo poético e um apelo à escuta, que é um processo poético. É dessa escuta que se faz a poesia, o perceber a poesia. Toda a história da Igreja está marcada pela poesia».

«O momento mais alto, do dia mais alto da liturgia é um belíssimo poema, o precónio pascal é dos poemas mais belos; o hino da caridade de São Paulo é dos poemas mais belos que alguma vez se fizeram; o cântico das criaturas de São Francisco de Assis é das coisas mais belas que se fizeram, os salmos, o cântico dos cânticos. Não nos falta matéria. Falta-nos escutar, falta-nos sempre escutar. Miguel Torga disse várias vezes nos seus diários ‘Temos tudo, falta-nos o essencial’. A maior parte das vezes falta-nos o essencial».

Excertos da conversa com Rui Almeida, poeta discreto que conta com 10 livros publicados em pequenas editoras que procuram não deixar cair esta arte da escrita. Neste encontro conhecemos o diálogo que estabelece com o que vive e o incita a escrever, recordamos a relação com a avó materna que o influenciou no gosto pelas palavras e  percebemos como gostaria de ver a tradição poética da Igreja mais valorizada nos dias de hoje.

 

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