Professor António Oliveira, Comissão Justiça e Paz Diocese de Bragança-Miranda

Com grande frequência, amigos e conhecidos perguntam-me o que fazer para emagrecer. Como técnico do exercício, saliento sempre que o fundamental não é o emagrecimento mas sim que a pessoa mantenha um índice de massa corporal (IMC) dentro dos limites considerados saudáveis e que a auto-imagem e o auto-conceito podem e devem ir muito além da perda ponderal. No entanto, não conhecendo as palavras mágicas que façam perder peso instantaneamente, partilho algumas ideias que considero relevantes.

A resposta rápida e que surge com naturalidade é: aumento da prática de atividade física e cuidado na alimentação. Cada um de nós é um sistema único e esta variabilidade entre cada ser implica uma prescrição individual e diferenciadora. No entanto, a proposta de aumentar a regularidade na prática de atividade física e a melhoria na qualidade e na quantidade alimentar é de fácil interpretação e não se sobrepõe a qualquer outra prescrição mais específica.

Algo que eu próprio me questiono quando me abordam com a questão que referi acima é o porquê dessa questão. Também aí tenho de contar com a subjetividade individual e ter em conta que o que pode ser pretendido pode não estar relacionado com a prevenção de doença ou mal-estar físico mas sim com a aquisição de uma imagem idealizada de saúde e beleza, também ela muito moldada pelos paradigmas sociais e culturais de um determinado meio e época.

Assim, atrevo-me a dizer que, na maioria das situações, o que está em jogo é o desejo de se melhorar a auto-estima pela via da perda ponderal. Umas pessoas pensam nas saias que caem melhor, outras nas camisas que pretendem apertar sem que fiquem dobras na linha dos botões, outras no tecido que não faça notar as curvas que não pretendem mostrar.

A alteração de imagem que pretendem pode não corresponder ao que é considerado saudável, mas é amplamente condicionada pelas imagens que consumimos diariamente, quer seja pelo aspeto de determinado ídolo, do que veste determinada figura, quer pelo que aparece na revista da moda.

Quando nos olhamos ao espelho, é importante que a imagem devolvida nos satisfaça, uma vez que isso condiciona a nossa disposição, a nossa auto-confiança e a nossa saúde mental. No entanto, nem sempre a imagem que procuramos ou a que o espelho nos devolve corresponde às nossas expectativas. Por outro lado, nem sempre as expetativas correspondem à forma física que será adequada para nós.

A autoestima, conceito que resulta dos sentimentos que nutrimos por nós, é potenciada pela forma como nos apresentamos, como nos vemos. Com boa autoestima, sentimo-nos mais capazes, mais amigáveis, mais produtivos. Sentimo-nos melhor.

Um estudo recente concluiu que a imagem do trabalhador é muito importante num concurso de emprego. O conhecimento, a disponibilidade, o interesse e a produtividade podem não chegar. A imagem do individuo é e será sempre importante, no momento da contratação. O cuidado da imagem não é de agora, mas a sua importância na aceitação social é muito atual.

Ainda assim, não posso deixar de salientar que todos os corpos são legítimos e que ninguém deve ser excluído dependendo da sua forma física ou peso. E aí entra o meu segundo conselho. É fundamental que sejamos mais brandos com os nossos objetivos e ideais de corpo. É importante que todos os corpos possam ser legitimados e, nesse sentido, as imagens transmitidas quer em revistas quer em televisão quer em cinema devem ser diversas e menos padronizadas.

A prática desportiva e os cuidados alimentares serão sempre um bom motor de promoção de saúde e prevenção de doença. Mas olharmos para o nosso corpo e aceitarmos que a perfeição é coisa de Photoshop é um elemento fundamental neste equilíbrio classicamente descrito como mente sã em corpo são.

A nossa Imagem é sinónimo de Saúde. Cuidem dela em todas as suas dimensões.

Professor António Oliveira
Comissão Diocesana Justiça e Paz da Diocese de Bragança-Miranda

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