José Luís Nunes Martins

É profunda a tristeza de quem se entrega e sente que não é aceite.

Quando julgamos que não há amor por nós, colocamos tudo em causa, chegando a perder a confiança de ser quem somos.

É certo que todos erramos e que quase nunca conseguimos remendar o mal que fazemos, mas quem de nós pode condenar outro ao desamor?

O que se passará no interior de quem ignora os outros, até mesmo aqueles que o amam? Como pode pensar em ser feliz se está apenas cheio de si mesmo?

Face a todas as espécies de egoísmo dos nossos dias, num mundo em que já não se acredita na verdade e se desconfia da felicidade, é essencial que haja quem seja capaz de fazer frente a estes males com o bem.

Importa que haja quem ame porque sim, não para ser amado. Quem respeite quem não o respeita. Quem aceite a decisão do outro, mas não deixe que os erros dos outros lhe retirem a força do coração para fazer o que está certo.

Mas onde se pode encontrar mais força quando nos sentimos no fundo do poço do abandono?

Como devemos lidar com a ideia de ser possível que quando chegar o tempo da saudade nada termos para recordar?

Nos momentos mais duros, talvez seja importante repensar-me com cuidado e atenção, cuidar de mim para não deixar que a amargura do desamor dos outros me torne em mais um desumano entre nós.

Que eu seja capaz de olhar com ternura para as minhas fraquezas. Tomando-as como tão boas e minhas, tão boas e minhas quanto as minhas forças.

Que eu nunca seja infiel ao amor de que sou capaz, nem mesmo quando isso seja causa de desgostos profundos em mim, afinal o amor é sempre mais fundo. A certeza da dor é a certeza da vida do amor que foi ferido.

Que eu nunca seja indiferente, nem mesmo à indiferença do outro.

Que eu seja diferente… e ame.

 

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