José Luís Nunes Martins

A esmagadora maioria dos suicídios não resulta de vontade própria, antes sim, de depressão em estado terminal.

Quando se trata de uma doença física, qualquer que ela seja, consideramos que se deve a um infortúnio qualquer, alheio à vontade do próprio. Contudo, quando se trata de problemas psíquicos tudo muda na nossa avaliação. Julgamos tratar-se de algo que se deve às escolhas individuais em função do contexto concreto, mas quase nunca consideramos que o problema não tem relação forte com a vontade da pessoa.

A mente, tal como o corpo, pode ter problemas.

Um dos mais comuns, hoje em dia, é a depressão. A pessoa fica, de forma progressiva, sem força para se expressar, sem sensibilidade para se deixar impressionar. Afasta-se da vida. Como se a própria vontade lhe estivesse a fugir.

É insensato culpar alguém de ter gripe. Assim também devia ser considerado absurdo apontar-lhe o dedo por qualquer patologia psíquica.

Como mata a depressão? Tolda o espírito ao ponto de este ver na autodestruição o único meio para por termo ao seu sofrimento, para o aliviar das angústias mais profundas e dos desesperos mais asfixiantes. Ninguém se quer matar. Quer sim, de forma doentia, por fim a uma dor que dói sem limites nem porquês.

Quando alguém desiste de esperar o bem, deixa de temer o mal.

Enquanto nós considerarmos os deprimidos como culpados dessa condição, estaremos a ser cúmplices daquilo que lhes devora o espírito.

As tristezas são uma parte saudável da vida, mas a depressão não é uma tristeza.

É possível tratar e curar depressões com tempo e acompanhamento técnico.

Más companhias, apesar de muito bem-intencionadas, é melhor não se aproximarem, nem dizerem nada!

Talvez o amor não consiga curar nenhuma patologia, mas, por vezes, faz milagres.

Ajuda estar presente e em silêncio. Ajuda não julgar. Não culpar. Ajuda amar ao ponto de que o outro se sinta amado. Mas nada disto é garantia de sucesso, porque se trata de uma patologia concreta, que pode progredir, tantas vezes de forma fulminante, até se tornar fatal.

Importa combater e matar a depressão. Resgatando das suas garras todos os que for possível.

Atenção. Paciência. Tempo, tempo e tempo. Amando sempre e apesar de tudo.

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