Recordar o Padre Thomas, um carmelita assassinado na Índia em 2008

Semente de cristãos

O brutal assassinato do Padre Thomas deixou a pequena comunidade local em estado de choque. Por toda a Índia circulavam notícias aterradoras de ataques contra os cristãos, mas ninguém iria imaginar que algo assim pudesse acontecer ali. O Padre Thomas foi morto em Agosto de 2008 junto a uma aldeia no estado de Andhra Pradesh. Mais de uma década depois, a sua vida continua a ser lembrada como exemplo da dedicação aos outros. Mataram-no mas é impossível apagar a sua memória…

Devia ter celebrado missa em Yellareddy no domingo, 17 de Agosto, mas não apareceu. As últimas pessoas que o viram ainda com vida foram as irmãs franciscanas em Lingampet, em cujo convento jantou no dia anterior. O corpo profundamente mutilado do sacerdote carmelita seria encontrado na manhã desse domingo na beira da estrada que liga as duas localidades. A motocicleta, com que se deslocada para todo o lado, estava a alguns quilómetros de distância. As primeiras pessoas que se depararam com o Padre Thomas Pandippallyil não esconderam o horror. Era um cenário dantesco. O corpo estava mutilado. Havia sinais de dezenas de facadas, especialmente no abdómen. Os olhos tinham sido arrancados com um objecto cortante. Parecia que a cabeça tinha sido atingida por pedras e paus. A notícia do assassinato do padre carmelita, de 38 anos de idade, correu depressa em toda a região.

A tragédia de Orissa

Foi em Agosto de 2008. Uma onda de violência brutal tinha caído sobre o Estado de Orissa, um pouco mais a norte de Andhra Pradesh, onde o Padre Thomas foi assassinado. Lá, em Orissa, especialmente no estado de Kandhamal, a violência que se abateu sobre a comunidade cristã foi de tal ordem que ainda hoje, mais de uma década depois, o balanço dessa tragédia não está ainda fechado. Não há outra palavra mais adequada: tragédia. Cento e vinte mortos, dezenas de aldeias atacadas, seis mil casas destruídas. Trezentas igrejas e paróquias arrasadas. Ninguém foi poupado. Foi terrível. A morte do Padre Thomas avivou todos os receios. Não era apenas o assassinato de um sacerdote que estava em causa. Era a forma brutal como tinha acontecido que assustava mais.

Uma vida pelos outros

Ninguém conseguiu até hoje encontrar uma justificação para o assassinado deste sacerdote carmelita. Só o ódio mais primário poderá ter levado alguém a cometer um tal crime. Os que conviveram com ele ficaram perplexos. O Padre Thomas era bondoso, pacífico, sempre disponível para ajudar, piedoso. Serviu a comunidade até ao último dia da sua vida sempre com um zelo inexcedível. O Arcebispo de Hyderabad, disse que a comunidade cristã tinha ficado “traumatizada”. O ataque àquele sacerdote era um ataque a todos os cristãos. Nada explicava tanto horror. Nem sequer poderia haver a justificação de que o padre estaria a tentar converter a população hindu local. D. Joji Marampudi, Arcebispo de Hyderabad, sabia bem do que estava a falar. Ele, que tinha sido o primeiro bispo da Igreja católica oriundo dos ‘dalits’, ou intocáveis, os que pertencem à base do complexo sistema de castas da Índia, conhecia bem aquela região. E assegurou que o padre Thomas nunca tinha estado envolvido em actividades de “proselitismo e conversões forçadas”. Segundo o bispo, o crime só podia ser o resultado do clima de “ciúmes para com a Igreja”.

Comunidade em crescimento

A região é caracterizada por um forte sub-desenvolvimento. O Padre Thomas como toda a estrutura da Igreja católica, estava fortemente empenhado em ajudar aquelas populações. Ajudar os mais pobres e necessitados era o catecismo de todos os dias. Ajudar gratuitamente era a forma de traduzir a mensagem de Jesus àquelas pessoas com vidas tão sofridas e amargas. O padre Thomas foi morto em Agosto de 2008. Mais de uma década depois, a sua vida continua a ser lembrada na Índia como exemplo da dedicação aos outros. Mataram-no mas é impossível apagar a sua memória… A Igreja tem continuado a sua missão na região de Andhra Pradesh e, apesar das ameaças e da violência, a comunidade cristã não tem parado de crescer. Ali e em toda a Índia. O Padre Thomas Pandippallyil é exemplo de que o sangue dos mártires é semente de cristãos.

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

 

Perseguição na Índia

Testemunho de um Padre da aldeia

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