Leah Sharibu passou o aniversário em cativeiro na Nigéria. Pela segunda vez.

O preço da liberdade

Está em cativeiro desde 19 de Fevereiro de 2018. Foi raptada com mais 110 colegas do seu colégio pelo Boko Haram, um dos mais temíveis grupos terroristas da actualidade. Todas as outras raparigas foram libertadas menos ela. Leah Sharibu recusou renunciar ao Cristianismo, como os terroristas exigiam. Sexta-feira, 17 de Maio, foi o dia do seu aniversário. Fez 16 anos. Leah teve a coragem de continuar em cativeiro para permanecer livre.

Ninguém sabe ao certo como está Leah Sharibu desde que esta jovem cristã foi raptada pelo Boko Haram, grupo terrorista de inspiração islâmica que luta pela criação de um “califado” no norte da Nigéria. Ninguém sabe sequer se esta jovem cristã está a ser maltratada fisicamente ou não. O simples facto de estar em cativeiro é uma violência sem nome, sobretudo tratando-se de uma jovem, uma adolescente. Leah foi raptada juntamente com mais 110 raparigas que estudavam num colégio interno na cidade de Dapchi, situada na Diocese de Maiduguri, no nordeste do país, no dia 19 de Fevereiro de 2018. Um mês depois, todas as outras raparigas foram devolvidas às suas famílias com excepção de Leah Sharibu, que sendo a única cristã do grupo recusou converter-se ao Islamismo como os terroristas exigiam a troco da sua libertação. O Boko Haram é considerado um dos mais temíveis e sanguinários grupos terroristas da actualidade. Ninguém sabe ao certo como são os dias de Leah Sharibu, mas imagina-se a angústia dos seus pais na passada sexta-feira, 17 de Maio, dia em que a filha fez 16 anos. A impotência perante o destino de Leah deve ser imensa… Os dias e as horas são infindáveis desde que ela foi raptada. A última vez em que tiveram notícias dela foi em Outubro. Nesse mês, os terroristas divulgaram um vídeo onde ameaçavam manter a jovem cristã como “escrava para a vida”. Imagina-se o sofrimento dos pais de Leah… Sobra-lhes apenas a certeza da fé. A mesma fé que fez a jovem enfrentar os terroristas para lhes dizer “não”. Leah teve a coragem de não renunciar ao Cristianismo, de não abandonar a sua religião. Teve a coragem de continuar em cativeiro para permanecer livre.

 

O ataque a Dapchi

O assalto à escola de Dapchi fez lembrar ao mundo o ataque, em Abril de 2014, a uma outra escola, em Chibok. Dessa vez, mais de duas centenas de raparigas caíram nas mãos dos terroristas. Muitas conseguiram fugir, outras foram libertadas e algumas estão a estudar no estrangeiro. Responsáveis de uma dessas escolas, a Universidade Americana de Yola, dizem que essas alunas têm padrões de comportamento que revelam sentimentos profundos de depressão que só o tempo poderá amenizar. Na verdade, ninguém consegue imaginar o medo que todas estas raparigas já experimentaram. Em Maio de 2014, Abubakar Shekay, o líder do Boko Haram, apareceu num vídeo onde se viam dezenas de raparigas vestidas dos pés à cabeça com trajes muçulmanos. Eram antigas alunas da escola de Chibok. Abubakar ameaçou vender todas essas jovens, afirmando que “a escravidão é permitida” na sua religião. Relatos surgidos então na imprensa davam conta de que algumas das estudantes de Chibok teriam sido mesmo forçadas a casar ou teriam sido vendidas como escravas. A BBC chegou a escrever, citando testemunhas, que algumas dessas jovens terão sido vendidas por cerca de 12 euros cada uma. Leah Sharibu fez 16 anos no dia 17 de Maio. Ninguém consegue imaginar o medo que esta adolescente cristã estará a sentir desde que caiu nas mãos dos terroristas, desde que foi raptada. Há só uma certeza nesta história. Leah teve a coragem de não renunciar ao Cristianismo, de não abandonar a sua religião. Teve a coragem de continuar em cativeiro para permanecer livre. Por isso, Leah Sharibu, que fez agora apenas 16 anos de idade, é um exemplo para todos nós.

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

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