Religiões em diálogo para mudar o mundo

O diálogo inter-religioso como caminho para a paz e uma nova ordem mundial tem sido o pano de fundo para os trabalhos do IV Parlamento das Religiões, a decorrer em Barcelona dentro do Fórum Universal das Culturas. Os cerca de 8.000 participantes negaram aos líderes políticos o direito de “fazer guerras em nome de Deus” e o líder do Parlamento, William Lesher, acrescentou que “é urgente praticar o diálogo inter-religioso, para que não se repitam os confrontos violentos por causas religiosas”. O IV Parlamento das Religiões do Mundo decorre até dia 13 de Julho, sob o lema “Caminhos para a paz; a sabedoria de ouvir a força do compromisso”. Durante esta semana de Julho, os participantes realizaram actividades em grupos com sessões variadas, e através da apresentação das diversas identidades religiosas. Ao longo dos trabalhos foi apontado que João Paulo II se tornou o representante religioso que deu maior impulso ao diálogo entre crentes de diferentes religiões. Entre os participantes na sessão “Contribuições do Papa João Paulo II para o diálogo inter-religioso” foi assinalado que o Papa foi o primeiro a visitar uma sinagoga ou uma igreja luterana e que organizou um encontro inter-religioso pela paz, em 1986. “João Paulo II é o único Papa que falou dos judeus como uma benção e reconheceu e lamentou as vítimas do holocausto, que condenou como a atrocidade do século XX”, apontou o jesuíta Thomas Michel.Para Ibrahim Ozdemir, professor de história da filosofia da Universidade de Ancara, Turquia, “o Papa é hoje a voz da consciência da humanidade e será recordado no futuro ao mesmo nível que Gandhi e o Dalai Lama”. Outra constante nesta semana foi a vontade das várias religiões em ter intervenção social e política no reordenamento mundial e não ficar remetidas a um papel estritamente espiritual. Numa das quase cem sessões de que diariamente se faz o parlamento, uma religiosa católica, missionária no Congo, criticou o facto de, na região onde trabalha, a água ter sido privatizada e entregue à Coca-Cola. “Agora cada garrafa custa o equivalente ao que uma família gasta por dia em alimentação, criticou. O pedido de anulação da dívida externa dos países pobres, tema muito querido de João Paulo II, foi também repetido nas sessões do parlamento. Os trabalhos estão organizados em dezenas de assembleias gerais, às quais assistirão milhares de pessoas, e outras temáticas onde o objectivo é sempre discutir temas como “o diálogo das civilizações: Islão e Ocidente à procura de um mundo justo e em paz” ou “religião e direitos humanos”. O primeiro Parlamento das Religiões do Mundo realizou-se em Chicago, em 1893, e o segundo, 100 anos depois na mesma cidade norte-americana. Em 1999 voltou a reunir-se, na Cidade do Cabo, África do Sul, e agora pela primeira vez na Europa.

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