Cardeal partilhou experiência sobre percurso da Jornada em Lisboa e impacto na pastoral da juventude, na segunda reunião preparatória da edição em Seul

Seul, 14 set 2026 (Ecclesia) – O cardeal D. Américo Aguiar defendeu hoje que “agora começa talvez a parte mais difícil” depois da realização da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, na cerimónia de abertura do 2º encontro de preparação da edição que decorre em Seul em agosto do próximo ano.
“Organizar uma Jornada é difícil, mas viver depois da Jornada pode ser ainda mais exigente”, afirmou o presidente da Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida, na iniciativa que decorre no país que recebe os jovens em 2027, aludindo aos desafios após a realização do encontro da juventude em Portugal.
D. Américo Aguiar está a participar na segunda reunião preparatória da Jornada Mundial da Juventude Seul 2027, de 13 a 17 de setembro, e que conta com a participação do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), através de uma delegação composta por Pedro Carvalho, o padre Filipe Diniz e Isabel Fernandes.
Na intervenção, o cardeal destacou que a “a vida não é uma Jornada permanente”, salientando que “é preciso descer do monte”, aludindo ao momento da Transfiguração de Jesus narrado na Bíblia.
“Jesus não nos deixa construir as tendas. Manda-nos descer e voltar às nossas casas, às nossas dioceses, às nossas paróquias, às nossas famílias, às nossas escolas, universidades e locais de trabalho. E é aí que começa a pergunta verdadeiramente importante sobre o legado: o que fazemos, na planície, com aquilo que recebemos no monte?”, questionou.
Na sessão, o bispo recordou o Rejoice – Jornada Nacional da Juventude, que se realizou em julho, em Lamego, salientando que apesar de não ter registado uma “grande multidão”, a alegria, os tempos de oração e celebração que partilhou, bem como a capacidade dos jovens de fazer acontecer provaram, “uma vez mais”, que a “JMJ Lisboa 2023 continua a dar frutos”.
“Nem sempre serão árvores carregadas de frutos. Às vezes será apenas um pequeno rebento. Mas existe, cresce e multiplica-se. Assim aconteceu sempre e assim continuará a acontecer”, referiu.
“As multidões enchem-nos de alegria e confiança. São importantes, são belas e fazem-nos perceber que não estamos sozinhos. Mas será sempre no recato de cada vida que se fará o milagre do encontro com Jesus vivo no meio de nós”, acrescentou D. Américo Aguiar.

O cardeal considera que talvez seja este “o maior legado de uma Jornada”, isto é, “o rosto de um jovem que regressou a casa diferente; de um voluntário que descobriu que servir pode ser uma forma de felicidade; de uma família que abriu a porta a um desconhecido e, alguns dias depois, se despediu de um amigo”.
“É o rosto de uma comunidade que percebeu que os jovens não são apenas o futuro da Igreja. Os jovens são Igreja agora”, disse.
A intervenção do bispo de Setúbal frisou a importância do trabalho em conjunto na preparação de uma jornada, realçando “quando cada um oferece aquilo que tem, mesmo quando parece pouco, Deus encontra espaço para fazer muito mais”.
“Foi isso que vimos em Lisboa. E é isso que desejo, de coração, para Seul. Não desejo que façam uma cópia de Lisboa. Não faria sentido. Seul não tem de ser Lisboa. Tal como Lisboa não foi Panamá, o Panamá não foi Cracóvia e Cracóvia não foi Madrid. Cada Jornada tem um rosto, cada povo tem uma história e cada Igreja tem um dom para oferecer à Igreja universal”, indicou.
A JMJ Seul 2027 terá o rosto da Coreia. Terá a vossa cultura e a vossa história, a vossa fé e as vossas feridas, a vossa esperança e os vossos jovens. E terá também aquilo que nenhum de nós consegue ainda imaginar. Porque o Espírito continua a soprar e, quando o Espírito sopra, nunca sabemos inteiramente o que nos traz”, acrescentou.
No final da intervenção, o bispo deixou uma mensagem aos jovens da Coreia e do mundo inteiro: “a Igreja espera-vos. Não para serem espectadores, nem apenas para ocuparem um lugar numa multidão, mas para serem protagonistas de uma história que Deus continua a escrever”.
“Nós fazemos a nossa parte: preparamos o caminho, abrimos as portas e depois deixamos espaço. Porque o Espírito sopra. E, quando sopra, nunca sabemos até onde nos levará”, concluiu.
![]() Foto: Nuno Moreira \ JMJ 2023 Na sessão intitulada “40 anos da Jornada Mundial da Juventude – Fecundidade pastoral: legado, desafios e novas oportunidades para o futuro”, em que interveio também o cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), D. Américo Aguiar partilhou também o caminho de preparação da JMJ Lisboa 2023. “O voluntário é o tesouro mais valioso de uma Jornada Mundial da Juventude”, afirmou D. Américo Aguiar, caracterizando-o como “alguém que oferece aquilo que hoje talvez seja um dos bens mais preciosos”: o “tempo”. “Podemos ter os melhores palcos, os melhores planos, os melhores sistemas e a melhor organização. Tudo isso é necessário. Mas nenhuma tecnologia substitui um rosto que acolhe, umas mãos que servem e um coração disponível”, referiu. À organização da JMJ Seul 2027, o bispo apelou a que cuidem dos voluntários, os escutem, formem, confiem neles, acompanhem e ajudem “a compreender que não estão simplesmente a prestar um serviço a um grande evento”, “estão a participar numa missão da Igreja”. Na intervenção, o presidente da Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida enfatizou ainda que uma “Jornada é muito mais do que a semana em que acontece”, mas é um “evento que sai, vai ao encontro, bate às portas e chega a lugares onde talvez nunca chegassem os grandes acontecimentos” “E aqui temos de aceitar outra coisa: nunca conheceremos todos os frutos. Nunca saberemos inteiramente o que aconteceu no coração de cada peregrino, nem todas as decisões tomadas em silêncio. Nunca saberemos quantos jovens voltaram a rezar, quantos descobriram uma vocação, quantos se reconciliaram com alguém, quantos regressaram às suas comunidades ou quantos começaram simplesmente a fazer uma pergunta que antes nunca tinham feito”, afirmou.
O programa da segunda reunião preparatória da Jornada Mundial da Juventude Seul 2027 vai incluir o conhecimento e aprofundamento das propostas para esta edição, nomeadamente no que diz respeito ao recrutamento e preparação dos peregrinos, ao sistema de inscrição e à aplicação digital da Jornada, aos Dias nas Dioceses e restantes eventos, bem como a caminhada dos peregrinos até à sua participação na Jornada. Para o DNPJ, “esta presença constitui uma oportunidade para acompanhar de perto a preparação” do evento, “reforçar a articulação com o Comité Organizador Local e continuar a preparar o caminho dos jovens portugueses”. A edição em Seul, que tem como tema “Tende coragem: eu venci o mundo”, entre 3 a 8 de agosto, segue-se à Jornada Mundial Lisboa 2023, com mais de 1,5 milhões de participantes nas celebrações conclusivas, presididas por Francisco no Parque Tejo. |
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